Sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
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O Ministério Público de Pádua, no norte da Itália, contestou na última segunda-feira (19/06) as certidões de nascimento de filhos de 33 casais homossexuais

As notificações sobre certidões emitidas desde 2017 até este ano foram encaminhadas após a justiça italiana afirmar que um registro citando duas mães “era ilegítimo” e determinar a retificação do documento, cancelando o nome de uma das mães.

Segundo os promotores, a certidão “violou a lei italiana”. O tribunal, no entanto, marcou uma audiência para a discussão de recurso dos casais para o dia 14 de novembro.

A partir desta decisão, foi solicitado formalmente que o registro de famílias formadas por duas mães seja modificado e o nome do “pai” não-biológico seja cancelado nos dados dos filhos.

A contestação provocou a ira da associação independente que reúne pessoas LGBTQI+ que desejam ter filhos, Famiglie Arcobaleno, que denunciou a decisão como um ato que “priva os menores de um pai legal” e classificou-o de “vergonhoso e indigno para um país civilizado”.

Associação que defende direitos parentais de pessoas LGBTQI+ denuncia decisão  como 'vergonhosa e indigna para um país civilizado'

Pixabay

Segundo promotores italianos, certidões "violaram a lei italiana"

“Pura hipocrisia de um governo que vem agindo sistematicamente desde que assumiu o cargo para anular os direitos de nossas crianças”, declara Alessia Crocini, presidente da Famiglie Arcobaleno, sobre a contestação. 

“Lutaremos ao lado desses pais e não deixaremos nenhuma ação impune, mas é bom que a sociedade civil perceba que há uma verdadeira perseguição de crianças com duas mães ou dois pais”, completou Crocini 

O prefeito de Pádua, Sergio Giordani, bem como em outras cidades do país, tem desafiado o governo nacional da primeira-ministra Giorgia Meloni para registrar os filhos de casais homossexuais no cartório municipal.

Em março passado, o governo Meloni enfureceu a oposição e ativistas pelos direitos civis ao ordenar que prefeitos não transcrevessem os registros de nascimento de filhos gerados no exterior por casais homoafetivos. 

A gestão da premiê também quer aprovar um projeto que transforma a barriga de aluguel – uma alternativa para casais homossexuais que desejam ter filhos, mas proibida na Itália – em “crime universal”, o que permitiria processar pessoas que recorressem a esse mecanismo no exterior.

(*) Com Ansa