Domingo, 10 de maio de 2026
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a reforçar nesta quinta-feira (06/11) que a COP30 será a “COP da verdade” e disse ser necessário ações “urgentes” para o enfrentamento às mudanças climáticas. O presidente participou da abertura da cúpula de chefes de Estado em Belém, criticou as forças extremistas que produzem inverdades sobre as questões ambientais e valorizou a realização de um evento na Amazônia: “chegou a vez dos amazônidas questionarem e pautarem as questões climáticas”.

Lula também valorizou os acordos que foram feitos até agora, especialmente o Acordo de Paris, mas afirmou que é preciso mais esforços para garantir que o mundo terá um futuro sustentável.

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“A força do acordo de Paris reside no respeito ao protagonismo de cada pais na definição de suas metas. Nos afastamos dos prognósticos que estimavam o aumento de 5ºC. O esforço coletivo teve resultado, mas é preciso de mais. As perdas humanas e materiais serão drásticas, o PIB Global pode encolher até 5%. A COP30 é a COP da verdade. A COP é um marco para o multilateralismo”, afirmou o presidente.

O mandatário também reforçou que é preciso reduzir o máximo possível o uso de combustíveis fósseis para que o planeta não agrave o aquecimento de mais de 1,5ºC em relação aos níveis pré-industriais. Lula também destacou que os líderes precisam superar dois problemas graves.

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O primeiro é a discrepância entre os “salões diplomáticos e a vida real”.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a recepção oficial dos Chefes de Delegação da Cúpula do Clima (COP30)
Foto: Ricardo Stuckert / PR

“As pessoas podem não saber o que são emissoes ou toneladas metricas de carbono, mas sentem a poluição. Podem não saber o que são sumidouros de carbono, mas reconhecem o valor das florestas e dos oceanos. Podem não ser versadas em financiamento concessional, mas sabem que nada se faz sem recursos. Podem não assimilar o significado do aumento de 1,5ºC na temperatura global, mas sofrem com as secas”, disse.

O segundo ponto enfatizado pelo presidente é o “descasamento” entre o contexto geopolítico e as mudanças climáticas. De acordo com ele, as forças extremistas “fabricam inverdades para ganhos eleitorais” e aprisionam as gerações futuras a um “modelo ultrapassado que perpetua desigualdades”.

Durante o seu discurso de 13 minutos, Lula valorizou a realização da COP30 na floresta Amazônica e disse que esse é o bioma mais diverso do mundo. Ainda de acordo com ele, a humanidade está ciente das mudanças do clima há 30 anos, mas foram necessárias 28 COPs para que os líderes começarem a pautar a necessidade de se afastar do uso de combustíveis fósseis.

“Apesar de nossas contradições, precisamos reduzir o uso de combustíveis. Não existe símbolo maior no imaginário global de um símbolo ambiental. Aqui é o bioma mais diverso da terra e há o dilema entre prosperidade e preservação nas comunidades locais. Esse é um dos maiores patrimônios globais e chegou a vez dos amazônicos questionarem o modelo de exploração e pautarem o debate ambiental”, afirmou Lula.

O mandatário voltou a pedir que sejam destinados menos recursos para a guerra e que os governos destinem um financiamento cada vez maior para a proteção do meio ambiente. De acordo com ele, o Brics já havia reafirmado a necessidade do “refinanciamento climático” e a cúpula de líderes é uma inovação trazida de outros organismos multilaterais para o universo da COP.

Ele também destacou que as convergências entre os governos são conhecidas, mas será preciso enfrentar na COP as divergências entre as lideranças. Para isso, ele indicou que a COP deverá ser inspirada pelos povos indígenas e comunidades tradicionais que sempre tiveram a sustentabilidade “como sinônimo de viver”.

“O engajamento de governos é crucial. Enquanto isso, a janela de oportunidades está se fechando. Cada ser humano sustenta o céu para que ele não caia sobre a terra. Temos que abraçar um novo modelo de desenvolvimento mais justo, resiliente e de baixo carbono. Espero que essa cúpula ajude a empurrar o céu para cima”, concluiu Lula.

A cúpula dos chefes de Estado não tem caráter deliberativo e é realizada antes da Conferência do Clima da ONU, que será organizada entre os dias 10 e 21 de novembro. A mudança foi justificada como uma forma de ampliar o tempo e o espaço de discussão dos acordos.

Com 143 delegações e 57 chefes de Estado, além de representantes de organismos internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Banco Mundial, o encontro deve estabelecer os parâmetros para os acordos nas diversas áreas que serão tema de discussão.

Entre os líderes confirmados estão o presidente da França, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa. Os presidentes da China, Xi Jinping, e dos Estados Unidos, Donald Trump, não vão participar da COP30.