Domingo, 10 de maio de 2026
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O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva denunciou que os países que integram o BRICS se tornaram “vítimas de práticas comerciais injustificadas e ilegais”. A fala se deu nesta segunda-feira (08/09), na abertura da cúpula de emergência do bloco convocada pelo próprio governo do Brasil. No encontro virtual, destacaram-se a participação de lideranças como os chefes de Estado russo, Vladimir Putin, e chinês, Xi Jinping. 

Em momento algum o discurso de Lula mencionou diretamente os Estados Unidos e o presidente norte-americano Donald Trump. Entretanto, o petista criticou o que chamou de “chantagem tarifária” em referência às medidas unilaterais tomadas por Washington nos últimos meses.

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“A chantagem tarifária está sendo normalizada como instrumento para conquista de mercados e para interferir em questões domésticas. A imposição de medidas extraterritoriais ameaça nossas instituições. Sanções secundárias restringem nossa liberdade de fortalecer o comércio com países amigos”, declarou, acrescentando que “dividir para conquistar é a estratégia do unilateralismo”.

Em julho, Trump justificou a medida tarifária de 50% sobre produtos brasileiros alegando suposta “perseguição política” e “caça às bruxas” do Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em processo de julgamento nesta semana por tentativa de golpe de Estado e pode ser condenado a até 43 anos de prisão, juntamente com outros sete réus envolvidos na articulação.

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Ainda em seu discurso, Lula disse que os “pilares da ordem internacional criada em 1945” após a Segunda Guerra Mundial “estão sendo solapados de forma acelerada e irresponsável”.

“A Organização Mundial do Comércio está paralisada há anos. Em poucas semanas, medidas unilaterais transformaram em letra morta princípios basilares do livre-comércio como as cláusulas de Nação Mais Favorecida e de Tratamento Nacional. Agora assistimos ao enterro formal desses princípios”, afirmou.

Denúncia contra intervencionismo militar dos EUA

Na cúpula, Lula denunciou a presença das “Forças Armadas da maior potência do mundo” no Mar do Caribe. Nas últimas semanas, a Venezuela tem alertado contra o intervencionismo militar dos EUA, que justificam o envio de navios para a costa do país latino-americano alegando combater suposto tráfico de drogas. 

Washington também acusa o presidente venezuelano Nicolás Maduro, sem provas, de ser chefe do Cartel de Sóis, uma organização que foi classificada como “grupo terrorista internacional” pelo Departamento de Estado norte-americano, em julho.

“A presença de Forças Armadas da maior potência do mundo no Mar do Caribe é fator de tensão incompatível com a vocação pacífica da região”, disse Lula.

Na última sexta-feira (05/09), 20 países membros da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) assinaram um documento no qual expressam sua “profunda preocupação com o recente destacamento militar extrarregional na região”. O Brasil foi uma das nações signatárias do manifesto. 

“A América Latina e o Caribe foram proclamadas como zona de paz, compromisso adotado por todos os Estados membros e sustentado em princípios como: a proscrição da ameaça ou do uso da força, a solução pacífica de controvérsias, a promoção do diálogo e do multilateralismo, o respeito irrestrito à soberania e integridade territorial, a não ingerência nos assuntos internos dos Estados e o direito inalienável dos povos à autodeterminação”, dizia uma parte da nota conjunta.

Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma cúpula de emergência do BRICS sobre ameaças ao multilateralismo e sanções norte-americanas
Ricardo Stuckert/PR

Genocídio em Gaza

O presidente brasileiro voltou a condenar o genocídio promovido por Israel na Faixa de Gaza, mencionando “urgência” na suspensão das ações militares nos territórios palestinos. 

“É urgente colocar fim ao genocídio em curso e suspender as ações militares nos territórios palestinos. A decisão de Israel de assumir o controle da Faixa de Gaza e a ameaça de anexação da Cisjordânia requer nossa mais firme condenação”, destacou o presidente.

Lula também lembrou que o Brasil aderiu à ação da África do Sul na Corte Internacional de Justiça (CIJ), sediada em Haia, contra o genocídio cometido pelas forças israelenses aos palestinos. Além disso, reiterou que a nação defende a solução de dois Estados.

“Quando o princípio da igualdade soberana dos Estados deixa de ser observado, a ingerência em assuntos internos se torna prática comum. A solução pacífica de controvérsias dá lugar a condutas belicosas. Sem amparo no direito internacional, os fracassos vivenciados no Afeganistão, no Iraque, na Líbia e na Síria voltarão a se repetir”, afirmou Lula. 

Guerra na Ucrânia

O conflito entre Rússia e Ucrânia também tomou espaço no discurso. O presidente brasileiro disse ser preciso “pavimentar caminhos para uma solução realista”, que contemple o respeito às “legítimas preocupações de segurança de todas as partes”. 

Sem citar os homólogos russo e norte-americano, o petista elogiou o encontro ocorrido no Alasca e seus desdobramentos, destacando ter sido um passo tomado “na direção correta” para pôr fim ao conflito.

“O Sul Global tem condições de propor outro paradigma de desenvolvimento e de refutar uma nova Guerra Fria”, conclui o discurso brasileiro. “O unilateralismo jamais conduzirá à realização dos propósitos de paz, justiça e prosperidade que nossos antecessores delinearam em 1945.”