Sábado, 23 de maio de 2026
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Em 10 de março de 1952, o exército cubano, liderado por Fulgêncio Batista, emitiu um pronunciamento militar que perpetrou em um golpe de Estado e instaurou uma ditadura no país. As eleições, que estavam marcadas para o dia 1º de junho, não ocorreu. 

Na madrugada do dia 10, o povo de Havana desfrutava de mais uma noite de carnaval. Ninguém suspeitava que estava em marcha uma sinistra conspiração para a tomada do poder. Na verdade, eram duas conspirações que estavam em marcha. Uma chefiada pelo capitão Jorge Garcia Tuñon, composta por jovens oficiais, sem vínculos com os batistianos e que aspiravam deter a corrupção político-administrativa, convocando eleições em seguida.

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Uma segunda conspiração contava com poucas possibilidades de êxito, visto que, durante os dois governos anteriores, houve um expurgo no governo e no exército de elementos batistianos. Tinha como figura principal a Fulgêncio Batista e Zaldivar, um ex-sargento promovido a general com longa experiência em maquinações conspirativas e que havia sido o “homem forte” em Cuba entre 1934 e 1944, porém não podia legalmente tentar reeleger-se presidente nas eleições de 1952. 

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Ambas as conspirações fundiram-se em uma porque a primeira não dispunha de líder com popularidade. Por outro lado, a conspiração de Batista não contava com os contatos necessários nos comandos militares para conseguir um rápido êxito.  

Na união das conspirações, o chefe seria o capitão Tuñon. De fato, foi este oficial quem deu as primeiras ordens. Porém tudo mudou ao chegar a Columbia. Batista esperou seu momento, até que as classes baixas e o povo começaram a afluir ao acampamento. Batista abandonou então seu papel de apenas uma figura do golpe para falar ao povo e aos soldados e distribuir ordens. Nesse momento, o jovem oficial Tuñón compreendeu que Batista outra vez havia roubado para si um golpe. 

Uma vez consumado o golpe de Estado militar, contra o corrupto, se bem que constitucionalmente eleito, presidente Carlos Prio Socarras, Batista se instalou no poder, derrogou a Constituição vigente desde 1940 e estabeleceu uma cruel ditadura.  

Longe de eliminada, a corrupção se enraizou ainda mais. Implantou uma brutal repressão caracterizada pela tortura e a eliminação. Entre outros males, levou a limites vergonhosos a submissão aos interesses econômicos e políticos aos Estados Unidos. 

Acontecimento partiu de um pronunciamento militar e impediu a realização de eleições na ilha

Wikipedia Commons

Batista tinha experiência em maquinações conspirativas

Na madrugada, os golpistas foram ocupando sem resistência as principais guarnições da capital, valendo-se da promessa de recompensar seus chefes. Enquanto isso, Batista se dirigia à Fortaleza Militar de Columbia numa caravana escoltada por esbirros da polícia, motorizada sob o comando do famigerado tenente Rafael Cañizares. 

Assim foram tomados aeroportos, Ministérios e meios de comunicação. Alguns oficiais em Matanzas, Villa Clara e Santiago de Cuba se negaram a acatar o golpe de Estado, porém foram tranquilizados com promessas de promoção e riquezas. As guarnições de Havana passaram a ter novos comandantes.

O presidente deposto, Carlos Socarrás, que se encontrava em sua quinta “La Chata”, ao tomar conhecimento que havia perdido todo o apoio do exército, decidiu fugir com sua mal havida fortuna, asilando-se na Embaixada do México, sem atender ao pedido de armas por parte dos estudantes universitários a fim de resistir aos golpistas. Desse modo, o país transitou de um governo corrupto a outro mais corrupto ainda e sanguinário. 

Em 10 de março de 1952, o povo de Cuba começou a viver uma das etapas mais difíceis da República neocolonial, que se estendeu por quase sete anos de luta e enfrentando a mais sanguinária e cruel tirania sofrida pelo país, uma das mais repulsivas e bárbaras da história do hemisfério. 

Para aplicar esta política criou, aperfeiçoou e reorganizou um aparelho repressivo em função de esmagar toda oposição possível. O assalto ao poder levou os partidos tradicionais de então ao total desprestígio: conservadores e liberais se somaram ao novo governo; os autênticos se dividiram em numerosas correntes e o Partido Ortodoxo foi presa da passividade, da divisão e da confusão. 

Com o derrocamento do governo constitucional e a abolição da Constituição de 1940, Batista impediu a vitória popular e afiançou o domínio dos Estados Unidos em Cuba. O golpe de Estado de 10 de março gerou um processo revolucionário radical tendo como ponto de partida a luta contra a violação das leis. Esta ditadura só acabaria em 1º de janeiro de 1959 com o Triunfo da Revolução, comandada por Fidel Castro.

Também nesta data:
1876 – Graham Bell, inventor do telefone, faz a primeira ligação
1940 – Diplomata norte-americano visita Londres após negociar paz com Hitler 
1959 – Eclode rebelião tibetana contra ocupação chinesa