Sábado, 23 de maio de 2026
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Em 13 de dezembro de 1838, eclode uma revolta popular na província do Maranhão que se estende até 1841 e viria a ser conhecida como Balaiada. O nome se deve ao apelido do artesão Manoel Francisco dos Anjos Ferreira, o “Balaio” (por fabricar cestos), principal liderança do movimento. 

Os privilégios e desmandos que marcavam o passado colonial não haviam sido superados com a proclamação da independência. Na Balaiada, tal conjuntura ficou evidente. As causas da revolta estavam relacionadas às condições de miséria e opressão da população. Os rebelados se voltaram contra os grandes proprietários agrários da região. 

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Na época do movimento, viviam na província aproximadamente 200 mil homens, dos quais 90 mil eram escravos e outra grande parcela era formada de sertanejos ligados à lavoura ou à pecuária. Herdando uma estrutura social gerada na produção do algodão, a região encontrava-se, nesse momento, econômica e socialmente instável. 

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A produção algodoeira, fundando-se apenas em condições internacionais (guerra de independência dos Estados Unidos, Revolução Industrial etc.), desabou paralelamente ao desaparecimento dos fatores externos favoráveis à economia exportadora. 

Com isso, no início do século XIX a economia maranhense atravessava uma forte crise, em grande parte decorrente da concorrência do algodão norte-americano no mercado internacional. 

Causas da revolta estavam relacionadas às condições de miséria e opressão da população; rebelados se voltaram contra os proprietários agrários da região

Wikimedia Commons

As causas da revolta estavam relacionadas às condições de miséria e opressão da população

Além disso, o estabelecimento da Lei dos Prefeitos (que concedia ao governador o privilégio de nomear os prefeitos municipais) causou outro tipo de atrito. O mandonismo político acirrou as relações do povo com as instituições governamentais.

O artesão Manoel dos Anjos Ferreira acusa o oficial Antônio Raymundo Guimarães de ter abusado sexualmente de suas filhas. Em protesto, começa a lutar contra as autoridades provinciais. Após conquistar vários adeptos, os revoltosos conseguem controlar a cidade de Caxias, um dos maiores centros comerciais da época. A natureza popular do movimento ameaçou a estabilidade dos privilégios econômicos dos que detinham o poder local no Maranhão. 

Naquele mesmo ano, o negro Cosme Bento de Chagas, com o apoio de aproximadamente 3 mil escravos fugidos, une-se à rebelião. O grande número de negros envolvidos na revolta deu traços raciais à questão da desigualdade. Em resposta aos levantes, o então coronel Luís Alves de Lima e Silva (mais tarde conhecido como Duque de Caxias) é designado para controlar a situação. 

Em 1841, com farto armamento e um grupo de 8 mil homens, Lima e Silva derrota os revoltosos. A desarticulação entre os vários braços da Balaiada e a desunião em torno de objetivos comuns facilitam bastante a ação repressora das forças do governo. 

Todos os negros fugidos acusados de envolvimento na revolta são reescravizados. Manoel Francisco é abatido durante o movimento de retaliação da revolta. O líder dos escravos, Cosme Bento, é preso e condenado à forca em 1842.