Sábado, 23 de maio de 2026
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O economista liberal David Ricardo morre em Gatcomb Park, Gloucestershire, no dia 11 de setembro de 1823. Apóstolo do livre mercado ele está na origem de uma célebre teoria sobre o valor do trabalho, tendo fornecido a Karl Marx a base de sua teoria sobre a mais-valia.

Quem foi David Ricardo?

Nascido em Londres em 1772, é originário de uma família judaica da Holanda. Nesse país, recebeu sua primeira educação ortodoxa. Formou-se ajudando seu pai, que era corretor na Bolsa de Valores. Rompe com sua família por se casar com uma mulher cristã quaker. 

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Com sua teoria da vantagem comparativa, argumentou de maneira convincente em favor do livre-cambismo. Votou pela revogação da Lei de Grãos, mecanismo protecionista que contribuía para enriquecer os latifundiários que dominavam o Parlamento em detrimento dos verdadeiros criadores de riqueza. Estabeleceu-se como corretor e especulador na Bolsa. Em pouco tempo acumulou uma grande fortuna que o permitiu se aposentar aos 40 anos.

Sua formação econômica foi autodidata e tardia e se deveu à leitura da obra fundamental de Adam Smith, A Riqueza das Nações. A partir dela desenvolveu seu próprio pensamento, centrado inicialmente em questões monetárias. Neste terreno não foi muito original, defendendo a teoria quantitativista que vinculava a inflação monetária com a abundância de dinheiro. Postulava, dessa forma, a volta do Banco da Inglaterra ao padrão ouro.

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Foi seu amigo, James Mill, que, consciente de seu valor intelectual, o estimulou a publicar sua concepção teórica do sistema econômico. Surgiu então  Princípios de Economia Política e Tributação, uma obra breve que contém a formulação mais sistemática e coerente do pensamento econômico clássico.

Mill quis que ele fosse mais além e o convenceu a entrar na vida política ativa para “educar” o Parlamento em matéria de economia. Efetivamente, conseguiu eleger-se por um distrito da Irlanda em 1819 e atuou na Câmara dos Comuns como um liberal independente até sua morte. Durante anos manteve um acalorado debate intelectual, compatível com relações de amizade e respeito com Malthus.

Obra e teoria em David Ricardo

A obra de Ricardo se destaca por seu raciocínio abstrato, simplificando a realidade até definir um modelo teórico que dê conta do funcionamento essencial do sistema econômico. É geralmente por isso considerado o pai da teoria econômica e o primeiro economista profissional.

Foi um ardente liberal, partidário de políticas econômicas que impulsionassem o crescimento econômico de maneira a garantir aos capitalistas altas margens de lucro. Chegou a teorizar o processo da revolução industrial britânica.

Argumentou que os salários não podiam nem deviam elevar-se para além do nível de subsistência. Criticou a saciedade os latifundiários, descrevendo a renda da terra como um ingresso parasitário que não contribuía com a produção e freava o crescimento. 

Acreditava que um processo de elevação das rendas da terra, acrescido do incremento dos salários dos trabalhadores, iria paulatinamente reduzir as margens de lucro até provocar o fim do crescimento capitalista – o Estado estacionário.

 

Para muitos, Ricardo é o primeiro economista profissional da história; sua maior contribuição foi a teoria das vantagens comparativas

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David Ricardo foi um economista e pensador da teoria do liberalismo, tendo sido base dos estudos críticos de Marx

Com sua teoria da vantagem comparativa, argumentou de maneira convincente em favor do livre-cambismo. Votou pela revogação da Lei de Grãos, mecanismo protecionista que contribuía para enriquecer os latifundiários que dominavam o Parlamento em detrimento dos verdadeiros criadores de riqueza.

Ricardo foi um porta-voz qualificado dos interesses empresariais nascidos do calor da Revolução Industrial. Assim se explica sua influência sobre o restante da escola clássica e sobre o pensamento econômico ortodoxo do mundo capitalista.

Não obstante, também havia em seus textos elementos que permitiram interpretações de tipo socialista. De fato, o pensamento econômico de Marx consistiu em desenvolver as ideias de Ricardo até suas últimas consequências. 

Por exemplo, Ricardo havia defendido definitivamente a teoria do valor-trabalho, segundo a qual somente o trabalho produz valor. Foi daí que Marx extraiu a conclusão de que os capitalistas exploram seus trabalhadores porque se apropriam de uma parte do produto de seu trabalho – a mais-valia. Marx aproveitou também a ideia ricardiana do Estado estacionário para profetizar como inevitável a derrocada do sistema capitalista, mergulhado em suas próprias contradições.

À parte essa vinculação com o socialismo marxista, Ricardo deu vazão também a outras interpretações heterodoxas como a de Henry George, baseada na ilegitimidade da renda da terra, a dos socialistas ricardianos e, já no século XX, a da escola neo-ricardiana, fundada pelo economista italiano Piero Sraffa.

(*) A série Hoje na História foi concebida e escrita pelo advogado e jornalista Max Altman, falecido em 2016.

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