Sábado, 23 de maio de 2026
APOIE
Menu

Claudio Ptolomeu, matemático, geógrafo e astrônomo grego da Antiguidade, morreu em 21 de setembro de 170. Este sábio, que nasceu aproximadamente em 100 d.C., formulou duas grandes hipóteses no domínio da Astronomia e da Geografia, que permaneceram fincadas no conhecimento coletivo durante 14 séculos. 

O conjunto de sua obra foi objeto de críticas e de polêmicas, bem mais do que de qualquer outro estudioso grego. Enquanto certos historiadores o classificam como gênio, outros o consideram como alguém que, durante sua vida, não fez nada mais que relatar teorias já existentes.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

Ptolomeu teria realizado observações astronômicas em Alexandria entre os dias 26 de março de 127 e a última em 2 de fevereiro de 141. Não há nenhuma prova de que Ptolomeu tenha vivido em outra parte que não Alexandria.

Mais lidas

Almagesta, de Ptolomeu

A obra mais célebre de Ptolomeu foi redigida em grego e intitulada “sintaxe matemática”, traduzida em seguida ao árabe e recebendo o nome de Almagesta. É um tratado constituído de 13 livros que descreve sob forma matemática o movimento aparente da Lua, do sol e dos planetas

Para construir a Almagesta ele se apoiou numa teoria bem conhecida a sua época: o geocentrismo. Ele defende que a Terra é um objeto imóvel no centro do Universo. Em torno dela se movem todos os outros astros, como o sol e os planetas. Os outros objetos que povoam o céu são animados por uma força que lhes dá um movimento orbital circular homogêneo.

Muitos enigmas ficaram sem resposta, entre eles o movimento aparente de distanciamento dos planetas, bem como a variedade de tamanho e de luminosidade dos planetas e da Lua. Ptolomeu pensava que os planetas giravam em torno de uma pequena órbita perfeitamente circular – o epiciclo – e que este mesmo movimento girava em torno de um círculo imenso centrado na Terra.

Todavia, a teoria dos epiciclos apresentava problemas e ele teve de introduzir algumas correções matemáticas para que fosse melhor aceita. A partir do século XVI a noção de geocentrismo foi rejeitada por Nicolau Copérnico em favor de sua própria teoria, o heliocentrismo, que definia o sol como centro do universo.

Apesar de rejeitar o geocentrismo, Copérnico manteve a noção do epiciclo como um elemento fundamental do movimento dos planetas. O volume de informações gigantesco contido no Almagesta explica por si só a popularidade da obra através dos séculos. 

Esta popularidade se deve, em parte, aos predecessores, em especial Hiparco, três séculos antes, cujos trabalhos sobre a trajetória e a revolução dos planetas seriam amplamente retomados no Almagesta. Graças ao princípio do epiciclo e do deferente, que representavam à época um trabalho inédito, Ptolomeu pôde predizer com grande precisão a chegada dos eclipses.

Responsável por formular grandes hipóteses na astronomia e geografia, seus trabalhos são referências ainda hoje

WikiCommons

Ptolomeu foi alvo de elogios e críticas pelo conjunto de sua obra

Observando os solstícios e os equinócios, pôde determinar a duração das estações. Essas observações lhe permitiram elaborar um modelo simples sobre o movimento do sol em que a Terra não estava exatamente no centro e sim a uma distância chamada “excentricidade”. Nos livros 4 e 5 do Almagesta, expõe suas teorias sobre a Lua. Após ter exposto sua teoria sobre a rotação do Sol e da Lua, formulou ideias sobre a aparição dos eclipses no Livro 6.

Nos livros seguintes trata da imobilidade das estrelas, pretendendo demonstrar que as estrelas guardam sempre a mesma distância entre si. Os livros 7 e 8 contêm majoritariamente um catálogo de mais de mil estrelas.

Os últimos 5 livros abordam as teorias planetárias. Pode-se considerar que a teoria desenvolvida por Ptolomeu sobre os planetas é uma verdadeira obra-prima. Criou um modelo matemático bastante sofisticado para adaptar os dados da observação, fato raro para a época. Ainda que o resultado tenha sido complexo, conseguiu reproduzir fielmente o movimento real dos planetas.

Geografia, de Ptolomeu

Outra obra fundamental de Ptolomeu, a Geografia, contém em especial um mapa do mundo à época, baseado nas informações dos grandes viajantes de então e fundado no sistema latitude-longitude. Ainda que aos olhos de hoje contenha informações errôneas, era uma obra que atravessaria séculos e cuja influência seria enorme.

O primeiro a emitir fortes críticas à obra de Ptolomeu foi Tycho Brahe, que revelou haver sistematicamente uma diferença de um grau nas longitudes do catálogo das estrelas. Brahe afirmou que as observações de Ptolomeu tratavam-se de uma versão modificada de um catálogo elaborado por Hiparco. 

Outra crítica a Ptolomeu foi do astrônomo Jean-Baptiste Delambre quem pensava que talvez Hiparco tenha cometido erros que Ptolomeu não logrou corrigir. Para um bom número de cientistas, seus trabalhos representam apenas uma vasta compilação do conhecimento e das teorias formuladas por outros sábios.

Contudo, não se deve esquecer que sem o Almagesta e a Geografia a soma dos conhecimentos que chegaram a nós desde a Antiguidade grega seria bem menor. Hiparco é um dos grandes astrônomos da antiguidade e seu status deve-se à descrição minuciosa de seus trabalhos por Ptolomeu. 

Como é comum em astronomia, a comunidade científica lhe rendeu homenagens designando com seu nome um asteroideMarte possuem cada qual, uma cratera denominada Ptolomeu ; e Ptolomeu é um prêmio literário de divulgação geográfica.

(*) A série Hoje na História foi concebida e escrita pelo advogado e jornalista Max Altman, falecido em 2016.