Domingo, 10 de maio de 2026
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Dois membros do Ministério Público do Peru foram gravados induzindo o marqueteiro e operador político Martín Belaunde Lossio, ex-braço direito do ex-presidente Ollanta Humalla, a mentir e omitir fatos sobre a sua relação com investigados na chamada Lava Jato peruana. Os áudios foram divulgados pelo site The Intercept Brasil, em parceria com o site de jornalismo investigativo local OjoPúblico.

Nas gravações, Belaunde afirma que um procurador do Equipo Especial (equivalente à força-tarefa da Lava Jato no Brasil) pediu-lhe para mentir e dizer que não sabia de uma alegada doação eleitoral de US$ 400 mil da Odebrecht a Humalla porque o ex-diretor da construtora, Jorge Barata, havia negado ter feito o pagamento.

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“O que o senhor vai nos dizer precisa ter concordância com a tese da procuradoria”, afirma outro procurador, David Castillo.


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Em vários trechos das gravações, Belaunde e seu advogado se mostraram dispostos a mentir ou omitir para agradar os procuradores. “Se for útil para o senhor, nós incluímos. Se não for útil, é como se não existisse”, responde Belaunde. Castillo é subordinado a outro procurador, Elmer Chirre, que também aparece nas gravações e comandou a acusação no primeiro caso derivado da Lava Jato peruana que resultou em condenação.

'O que o senhor vai nos dizer precisa ter concordância com a tese da procuradoria', afirma procurador a possível delator

Reprodução/OjoPúblico

Preso em 2015, pela Lava Jato peruana, Belaunde Lossio (centro) negociou acordo de delação premiada

Os procuradores gravados não fazem parte diretamente da equipe encarregada da Lava Jato no Peru. Mas a delação de Belaunde abasteceria as investigações do Equipo Especial, responsável por conduzir o braço peruano da Lava Jato, que investiga propinas pagas pela Odebrecht no país. Os procuradores também discutiram com Belaunde e seu advogado sobre a necessidade de que a proposta de delação premiada fosse avaliada pelo juiz Richard Concepción Carhuancho, o Sergio Moro peruano.

As revelações sobre as manipulações nas delações da Lava Jato peruana se assemelham às ocorridas no Brasil, também revelados pelo Intercept, na série de reportagens da Vaza Jato. As sucessivas mudanças no depoimento do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro até que uma versão fosse usada pelo juiz Sergio Moro para incriminar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, levantou desconfiança até mesmo dos procuradores da Lava Jato.

O próprio juiz Moro também em sigilo escondeu conversas gravadas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que contrariavam a hipótese de obstrução de Justiça, divulgando apenas os conteúdos que corroboravam com a versão pretendida pelo hoje ministro do governo beneficiado pela exclusão de Lula da eleição de 2018.