Domingo, 29 de março de 2026
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O policial, que anteriormente chegou a negar qualquer participação e pediu sua libertação, admitiu em audiência pública nesta quinta-feira (03/08), ter disparado pelo menos um projétil na noite em que o jovem Hedi, de 22 anos, foi gravemente ferido na cabeça durante protestos em Marselha, no sul da França. A confissão abriu precedentes para que o Procurador-geral da região de Aix-en-Provence solicitasse a manutenção da prisão preventiva do oficial.

“Tomei a decisão de usar a bala uma vez”, disse esse policial identificado como Christophe, que já se encontra em prisão preventiva há quinze dias. O procurador-geral considera que as declarações do policial dão “uma perspectiva” ao processo e suspeita que se ele fosse solto, poderia estabelecer contatos prejudiciais às investigações. Segundo ele, a prisão preventiva continua necessária a fim de “preservar as informações até o interrogatório” previsto em 30 de agosto.

Além do policial, outros três oficias são suspeitos de terem ferido gravemente Hedi durante o motim em Marselha, em 1° de julho, também estão presos preventivamente. Fato que gerou uma onda de protestos entre a classe policial em Marselha e em várias cidades da França.

O advogado do policial, Pierre Gassend, afirmou que “nada prova” que foi o tiro disparado por Christophe que feriu o jovem, que teve uma parte do crânio amputada por conta dos ferimentos. Durante a mesma audiência nesta quinta-feira, os quatro polícias indiciados neste caso foram acusados de minimizar o que aconteceu com o rapaz na ocasião, de o terem espancado após o tiro na cabeça e de não prestarem socorro imediato.

Hedi, de 22 anos, foi gravemente ferido na cabeça durante protestos em Marselha por um projétil disparado por um policial

Public Domain Pictures

Além do policial, outros três oficias são suspeitos de terem ferido gravemente Hedi durante o motim em Marselha

Hedi teria desmaiado após a violência policial e sido levado ao hospital pelo dono de uma mercearia. O procurador-geral se refere ao episódio como “de partir o coração”. Já a defesa dos acusados implorou pela libertação do agente, garantindo que seu cliente tinha a possibilidade de ser transferido para um posto policial longe de Marselha.

Violência policial

Já o advogado da vítima, Jacques-Antoine Preziosi, celebrou a prisão preventiva do policial e explicou que seu cliente ainda se recupera dos ferimentos na cabeça e não pode comparecer à audiência. “O arquivo mostra que ele está mentindo, que está trapaceando, que não é um bom policial, o controle judicial deve ser mantido”, disse o advogado de Hedi.

A acusação alega que a “violência resultou em incapacidade total para o trabalho superior a oito dias, agravada por três circunstâncias que foram praticadas em conjunto, com o uso ou ameaça de arma e por pessoa investida de autoridade pública no exercício de suas funções”. Por essa razão foi pedida também a manutenção do controle judicial contra um segundo policial envolvido, disse o Ministério Público à AFP. Os outros três agentes estavam sob controle judicial com “proibição de contato com os coautores, a vítima e proibição de exercer a atividade profissional de policial”.

Protestos por Nahel

Os protestos que ocasionaram a violência e prisão do policial de Marselha há duas semanas se deram na sequência de outro caso polêmico, o da morte do adolescente Nahel M., 17 anos, em Nanterre, no final de junho. Nahel não tinha carteira de motorista e foi atingido quando tentou se esquivar de uma blitz.