Quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
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O Brasil está em 27º lugar, entre 32 nações analisadas, do primeiro Índice de Qualidade das Elites (EQx), estudo internacional que avalia se o impacto das ações de grupos de líderes de um país favorece ou dificulta o progresso nacional. Segundo o estudo, as elites brasileiras tiram mais valor da sociedade do que criam.

O EQx recorre a dados internacionais, governamentais e de entidades, como Banco Mundial e FMI, e analisa dezenas de variáveis importantes para a direita mundial a fim de obter quatro indicadores principais: poder econômico, valor econômico, poder político e valor político. Esses indicadores permitem medir a “qualidade” das elites de um determinado país e ajudam a prever crescimento econômico e desenvolvimento humano de uma sociedade.

No caso do Brasil, “o que nós vemos é que as elites, quer políticas, quer econômicas, concentram em si ainda um elevado poder e acabam por utilizar esse poder para promover algumas atividades mais extrativas do valor da sociedade”, explica à Sputnik Brasil a professora Cláudia Ribeiro, da Faculdade de Economia (FEP) da Universidade do Porto, em Portugal, instituição que, junto com a Universidade de Saint Gallen, na Suíça, desenvolveu o índice.

Entre as variáveis nas quais o Brasil apresenta os piores desempenhos estão algumas muito caras à direita global: globalização da economia (31º posição), resposta do governo a mudanças (30º), liberdade de trocas comerciais (30º posição), empreendedorismo (30º posição), desemprego geral (29º) e desemprego entre jovens (27º).

“O Brasil avançou desde a restauração de sua democracia, em 1985, especialmente recuperando a economia e mantendo o controle da inflação. No entanto, no momento, a fé no governo precisa ser restaurada, com o país pontuando abaixo da média em todas as áreas do índice. A fim de garantir um forte caminho de crescimento a longo prazo e alcançar seus pares BRIC, as elites devem fazer a transição para modelos de negócios de criação de valor, ao mesmo tempo em que fornecem condições propícias aos negócios e ao empreendedorismo na economia”, lê-se no estudo.

Segundo estudo das universidades do Porto e de St. Gallen, elites brasileiras tiram mais valor da sociedade do que criam

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Elites brasileiras estão entre as piores do mundo, diz pesquisa

Entre os BRICS, grupo que reúne, além do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, somente os chineses tiveram posição de destaque, 12ª no geral, o que surpreendeu os pesquisadores. “Torna-se cada vez mais uma superpotência e rapidamente, a manter essa performance, caminhará para ser a maior economia”, disse o professor Oscar Afonso, da FEP, durante a apresentação dos dados à imprensa.

O professor explica que embora as elites chinesas tenham “muita concentração de poder político, a criação de valor é boa”. Entre os demais membros do grupo, Rússia (23º) e Índia (25º) estão acima do Brasil e África do Sul vem atrás, em 30º lugar.

O Brasil também ficou atrás de países como Israel (16º), Arábia Saudita (22º), Botswana (24º) e Paquistão (26º).

Outros dois representantes da América Latina, o México está em 21º lugar e a Argentina muito abaixo, em 31º. O Egito ocupa o último lugar do ranking.

Singapura é a número 1 do EQx. “Embora a nota seja penalizada pela alta concentração de poder, as elites da cidade-estado são, de longe, as maiores criadoras de valor do mundo”, lê-se no estudo. Em seguida, o top 10 do ranking tem, na ordem, Suíça, Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos, Austrália, Canadá, Japão, Coréia do Sul e Suécia.

A primeira metade da classificação conta ainda com Noruega (11º), Polônia (13º), Portugal (14º) e França (15º).

A partir de 2021 o Índice da Qualidade das Elites vai ser ampliado, com análise de dados de cem países, e será atualizado anualmente.

(*) Com Sputnik