Segunda-feira, 25 de maio de 2026
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Morreu no início da tarde desta quarta-feira (14/12) d. Paulo Evaristo Arns, Arcebispo Emérito da Arquidiocese de São Paulo. Com uma trajetória voltada para a defesa dos direitos humanos, o maior líder religioso do Brasil morreu em decorrência de uma broncopneumonia. Internado desde novembro no Hospital Santa Catarina, Arns estava com 95 anos.

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Figura controversa, logo que assumiu o cargo de arcebispo da cidade, em 1970, vendeu o Palácio Episcopal por 5 milhões de dólares e empregou o dinheiro na construção de 1.200 centros comunitários na periferia.

Foi um dos maiores críticos do regime militar que assolou o Brasil a partir de 1964. Além de lutar contra a ditadura, defendeu perseguidos políticos, sindicalistas, apoiou campanhas contra o desemprego e participou do movimento pelas eleições diretas no início da década de 80.

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Desafiou frontalmente o regime militar ao celebrar ato ecumênico em memória de Vladimir Herzog, uma semana depois do jornalista ser morto pela ditadura. Oito mil pessoas se reuniram na Catedral da Sé, centro de São Paulo, para a celebração que foi comandada por ele, pelo rabino da Confederação Israelita Paulista, Henry Isaac Sobel, e pelo reverendo Jaime Nelson Wright, pastor presbiteriano.

É autor de 49 livros sobre a ação pastoral da igreja nas grandes cidades e estudos de literatura cristã nos primeiros séculos. Foi o organizador da obra “Os Anos de Chumbo – Brasil Nunca Mais”, livro que denuncia em detalhes a tortura no país.

Agência Brasil

Dom Paulo Evaristo Arns foi um dos maiores críticos do regime militar

Reconhecido pela luta dos direitos humanos e contra a ditadura militar, reuniu mais de oito mil pessoas em missa em memória de Vladmir Herzog

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Vida

Filho de pequenos agricultores, nasceu em Forquilhinha, interior de Santa Satarina, e ordenou-se padre em 1945. Religioso com formação erudita e ligado ao setor progressista da Igreja, doutorou-se com o mais alto grau acadêmico, três “honorable”, em Letras pela Universidade de Sorbonne, em Paris, na França, com a tese A Técnica do Livro de São Jerônimo, em 1952. 

De volta a Petrópolis, trabalhou como professor de Teologia, como jornalista e como vigário nos subúrbios da cidade. Foi promovido à condição de bispo em 1966. Quatro anos depois, o papa Paulo VI nomeou-o arcebispo de São Paulo, e, em 1973, cardeal. Pediu demissão do cargo de cardeal-arcebispo em 1998, como determinam as normas da Igreja. Incentivando a integração entre padres, religiosos e leigos, criou 43 paróquias e apoiou a criação de mais de 2 mil Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) nas periferias da metrópole.

* Publicado originalmente no site da Revista Fórum