Governo da Dinamarca planeja isolar migrantes 'indesejados' em ilha remota
Medida foi proposta por conservador Partido Popular Dinamarquês (DF) e afetaria estrangeiros que solicitaram asilo e que não são aceitos em países de origem por conta de crimes cometidos
O governo da Dinamarca pretende abrigar em uma ilha os migrantes e requerentes de asilo no país que aguardam deportação, mas que não podem ser aceitos em suas nações de origem por conta de crimes cometidos.
O futuro centro de habitação, que será construído na ilha de Lindholm, na península de Jutlândia, passou a ser analisado pelo governo dinamarquês diante de uma série de denúncias contra migrantes criminosos. Desde 2016, estrangeiros à espera de deportação ficam em um alojamento em Kærshovedgård – que não fica em um lugar remoto.
A medida é feita em acordo entre o governo liberal-conservador e o Partido Popular Dinamarquês (DF) e se soma ao pacote de leis que buscam endurecer a política de migração no país. O projeto tem custo estimado em US$ 115 milhões e planeja concluir as novas instalações para migrantes até 2021.
Segundo a ministra de Integração, Inger Stojberg, os migrantes que se encontram nessa situação devem ser “controlados de maneira consciente”: “estrangeiros que abusaram da confiança da sociedade dinamarquesa e que cometeram atos criminosos devem ter as condições mais austeras possíveis e devem ser controlados de maneira consistente”, disse.
Muitos dos peticionários com pedidos de asilo rejeitados ou que cometeram crimes graves também temem a deportação pelas duras penas aplicadas em seus países de origem.
Violação aos direitos humanos
A ilha de Lindholm, que servirá de abrigo para os migrantes, fica isolada entre pequenos trechos de terra na região sudeste da Dinamarca e é conhecida por conter laboratórios, estábulos e crematórios de um centro que pesquisa doenças contagiosas em animais. Por conta da fama do local, um dos barcos que faz o trajeto até a ilha é apelidado de “vírus”.
Apesar do ministro das Finanças, Kristian Jensen, dizer que a ilha “não é uma prisão”, a proposta de isolamento de pessoas feita pelo partido conservador é alvo de críticas dentro do país e despertou a atenção de autoridades sociais.
Louise Holck, vice-diretora executiva do Instituto Dinamarquês de Direitos Humanos, disse que a decisão será observada “de perto” pela instituição diante de possíveis violações de direitos humanos e de obrigações internacionais do país.
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