Boaventura Sousa é acusado de assédio sexual; 'sou alvo de cancelamento', diz sociólogo
Sociólogo português de 82 anos foi um dos denunciados em livro escrito por três alunas da Universidade de Coimbra, que relata casos envolvendo diversos professores, os quais seriam frequentes desde 2018 e terminaram em impunidade
O sociólogo e professor da Universidade de Coimbra, Boaventura de Sousa Santos, publicou um artigo-resposta nesta terça-feira (11/04) afirmando ser ele um dos acadêmicos acusados de assédio sexual por três estudantes de doutorado em um livro publicado no mês de março. No mesmo texto, o catedrático refuta as acusações e se diz “alvo de cancelamento”.
O caso surgiu a partir de uma denúncia realizada em março por três alunas de doutorado do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, no livro “Sexual Misconduct in Academia – Informing an Ethics of Care in the University” (ou “Má Conduta Sexual na Academia – Construindo sobre um Ética de Cuidado na Universidade”, em tradução livre). A obra foi escrita pelas estudantes Lieselotte Viaene (belga), Catarina Laranjeiro (portuguesa) e Miye Nadya Tom (norte-americana) e publicada pela editora Routdlege.
Na obra, as três afirmam que não só elas como outras estudantes de Coimbra foram assediadas por diferentes professores e que a prática é comum na universidade, assim como a impunidade em casos que vêm sendo denunciados à direção desde 2018.
Boaventura de Sousa Santos seria um dos assediadores, mencionado no livro como “professor-estrela”, mas seu nome não é citado, razão pela qual o tema só ganhou maior dimensão em Portugal quando o próprio confessou ser ele o aludido.

Flickr / Linh Do
Boaventura de Sousa Santos assumiu ser ele o personagem anônimo de livro que denuncia casos de assédio sexual na Universidade de Coimbra
Os relatos do livro afirmam que Boaventura costumava tratas as alunas mulheres com “abraços longos e excessos de familiaridade”, que chegou a tocar uma delas nos joelhos e que pedir para “aprofundar o relacionamento” em troca de maior apoio acadêmico da sua parte.
Resposta de Boaventura
Em um longo artigo intitulado “Diário de uma difamação – 1”, o catedrático nega todas as acusações e afirma que estas estão assentadas em “referências anônimas, boatos e incidentes não identificados e não provados de maneira a poderem ser contestados”.
Além disso, o sociólogo português diz que “nunca tive reuniões com duas das autoras (Miye Nadya Tom e Catarina Laranjeiro) e com a terceira, a principal autora (Lieselotte Viaene), tive duas reuniões (…) para tentar resolver os problemas do comportamento incorreto e indisciplinado do ponto de vista institucional desta investigadora”.
“Em face disto, a primeira questão que se me põe é a perplexidade sobre como é que uma editora respeitável (que tem publicado alguns dos meus livros) deu a lume um texto tão ardiloso, tão mentiroso no que me diz directamente respeito, tão mistificador como este de que vos falo”, afirmou Boaventura, criticando também a editora Routdlege pela publicação do livro.
Segundo o periódico português Diário de Notícias, CES da Universidade de Coimbra criará uma comissão para apurar possíveis falhas institucionais relacionadas com o caso. O jornal também revela o nome de outro professor acusado de assédio no livro: Bruno Sena Martins, de 45 anos, auxiliar de Boaventura – e que, assim como o primeiro, nega as acusações.























