Domingo, 29 de março de 2026
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“Leia todos os livros que você gostaria de ter lido”: por enquanto, serviço está restrito a algumas editoras

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Andam dizendo por aí que o Netflix está revolucionando o jeito de assistir TV.

“Deem às pessoas o que elas quiserem. Quando quiserem. Do jeito que quiserem. A um preço razoável. E elas estarão mais dispostas a pagar pelo conteúdo em vez de roubá-lo.”

Esta é a máxima do premiado ator Kevin Spacey, estrela de House of Cards, a série política que faz um tremendo sucesso nos EUA e teve todos os 13 capítulos da 1ª temporada disponibilizados de uma vez só aos 33 milhões de usuários em mais de 40 países do serviço de TV por internet.

Se o Netflix mexeu com a indústria da televisão, tem gente querendo fazer a mesma coisa com o mercado editorial de livros. Essa é a aposta da start-up Oyster, uma plataforma online que oferecerá a seus usuários por US$ 9,95 mensais o acesso a 100 mil títulos digitalizados de diferentes editoras norte-americanas — até o momento, tudo em inglês.

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Oyster também disponibiliza “modo anônimo”, para que ninguém saiba o que você está lendo

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Grosso modo, o que a Oyster faz não é lá muito diferente do que bibliotecas têm feito ao longo dos últimos séculos (e de graça). Mas soa promissor o fato de ser o primeiro aplicativo a criar na web um acervo atualizado — não apenas de clássicos da literatura que já caíram em domínio público, mas também de lançamentos, manuais e livros mais técnicos.

Criado por três figuras já calejadas no mundo tech, Eric Stromberg (ex-eBay), Andrew Brown (ex-Google) e Willem Van Lancker (ex-GoogleMaps), o app aposta em uma plataforma simples, cool e desenhada exclusivamente para os dispositivos portáteis — a versão para iPad e iPhone será lançada em breve (já é possível entrar na fila

Bem como no Netflix, os usuários do Oyster poderão fazer buscas por título, gênero e também aceitar recomendações e sugestões. O aplicativo também permite interações com redes sociais, para compartilhar novidades e conferir o que seus conhecidos estão lendo. Mas disponibiliza um “modo anônimo”, para deixar que os leitores desfrutem insuspeitos este romance vampiresco ou aquele infame exemplar de autoajuda — para reforçar a “tese” de que Cinquenta tons de cinza deve muito de seu estrondoso sucesso ao anonimato de tablets como o Kindle.

Enquanto o Oyster não estreia na web resta saber qual o acordo costurado com as editoras (como HarperCollins e Houghton Mifflin Harcourt) para o pagamento dos direitos autorais aos publishers e escritores — o Netflix licencia o conteúdo de antemão com as produtoras; e o Spotify, seu primo na indústria fonográfica, paga as gravadoras sempre que uma canção é reproduzida.

“Os autores merecem ser pagos. Mas também merecem que seus livros sejam tratados com o mesmo carinho com que foram escritos.” Por enquanto, isto é tudo o que dizem os fundadores do Oyster, em seu blog oficial.

De toda maneira, o Oyster parece um caminho interessante. Para os leitores vorazes, para os que vivem em apartamentos apertados ou para os que querem estar sempre conectados e em dia com a leitura (já que tudo é feito por meio de uma conta online). Ou para quem quer apenas folhear um livro ou consultar capítulos específicos de grandes e caros manuais acadêmicos, por exemplo.

“Leia todos os livros que você gostaria de ter lido”, finalizam os diretores.

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“Dê o poder aos espectadores”: discurso de Kevin Spacey, protagonista de 'House of Cards', produção do Netflix

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