Sexta-feira, 27 de março de 2026
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“Eu acho que vivemos um momento de tentativa de retrocesso, de volta ao passado, em todos os sentidos”, afirmou o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães Neto disse nesta sexta-feira (22/04). Para ele, o golpe em curso no país, com a tramitação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no Congresso, atinge não apenas a Presidência da República, mas o que chama de um projeto de país e de sociedade.

Com o prosseguimento do processo no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra a chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer nas eleições de 2014, e mais o andamento do impeachment no Senado, Guimarães vê a possibilidade de resgate de eleição indireta para definir o chefe do Executivo. “O TSE pode levar a uma impugnação da chapa e a uma eleição indireta no Congresso”, afirma, destacando a chance de isso ocorrer entre o fim do ano e o início de 2017.

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Diplomata foi alto-representante do Mercosul entre 2011 e 2012

“Vamos ter uma revogação de todo o voto popular brasileiro e teremos novas privatizações, mas não dizem isso claramente. Querem a Petrobras, BNDES, a Caixa Econômica e assim por diante”, diz o embaixador, que critica as propostas que os conservadores, aglutinados em torno do nome do vice-presidente, Michel Temer, estão defendendo para o país.

Embaixador diz que o golpe em curso no país atinge não apenas a presidência, mas o que chama de um projeto de país e de sociedade: ‘Vivemos um momento de tentativa de retrocesso’

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“Na economia, tem as propostas de um programa neoliberal de redução do Estado, de redução dos programas sociais, do poder de fiscalização estatal, o que já permitiu o desastre de Mariana”, afirma, referindo-se à tragédia ocorrida no ano passado em Minas Gerais. “E agora, a redução de programas de saúde e educação; vemos um retrocesso grande no programa proposto pelo PMDB. E uma cisão com a legislação trabalhista. Traz a redução de impostos para o capital, que é algo extraordinário”, acrescenta Guimarães.

O embaixador classifica o rito do impeachment como um processo “concertado”, no sentido de que envolve também a Justiça, além do Parlamento. E cita como exemplo a postura do STF (Supremo Tribunal Federal), que adiou a sessão que vai analisar a posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Casa Civil.

Publicado originalmente pela Rede Brasil Atual