Segunda-feira, 30 de março de 2026
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NASA

The World (à dir.) visto do espaço em foto de astronauta da Nasa:  turismo para suprir as perdas com o petróleo

Maior cidade dos Emirados Árabes Unidos, Dubai converteu-se  no local com os maiores e mais desmesurados empreendimentos de luxo. Imensas riquezas, provenientes fundamentalmente das exportações de petróleo e gás natural, a converteram numa das cidades mais prósperas do mundo e engendraram uma estirpe de magnatas multimilionários que já nem sabem no que (mal) gastar seu dinheiro.

O absurdo nas edificações da capital compreende seu ícone, o Burf Khalifa, de longe o arranha-céu mais alto do mundo, com 828 metros, além de centros comerciais imensos, pistas de esqui nas dunas, campos de golfe no deserto, uma quadra de tênis a 300 metros de altura, aquários monumentais, o único hotel de sete estrelas do mundo, outro hotel que se gaba de ser o maior, com 72 andares e 1.608 quartos. Para não falar das ilhas “palmeira”, enormes cidades marítimas artificiais que se sobressaem na baía (já há duas construídas, mas está sendo feita uma terceira ainda maior), ampliando as praias de Dubai em 112 quilômetros. Elas contam com 100 hotéis de luxo, vilas residenciais junto à praia, parques aquáticos, restaurantes, centros comerciais e instalações esportivas de todo tipo.

Mas se existe algo que supera tudo o que já foi visto e imaginado é The World, um arquipélago artificial localizado a quatro quilômetros da costa de Dubai, que mede aproximadamente nove quilômetros de comprimento por sete de largura e que cobre um total aproximado de 9,34 milhões de metros quadrados. Em forma de mapa-múndi, o arquipélago é formado por umas 300 ilhas artificiais construídas no Golfo Pérsico.

Alan

Culto à personalidade: cartazes com a imagem do dirigente de Dubai são encontrados por toda a cidade

Destino incomum
Ao se observar a costa de Dubai de cima pode se ver uma espécie de mapa do mundo, no qual cada um dos continentes está fragmentado em pedacinhos, cada um dos quais corresponde a uma ilha. A superfície de cada uma delas varia de 14 mil a 42 mil metros quadrados; e o espaço entre duas ilhas contíguas é de 50 a 100 metros. Marcando os limites do “mapa”, ao redor do arquipélago há um quebra-mar ovalado, uma sólida parede de rochas desenhada para resistir às ondas de dois metros produzidas pelo vento Shamal, e assim evitar que as ilhas sejam destruídas pelo mar. Esse quebra-mar pode parecer uma obra menor em comparação com o resto do arquipélago, mas se trata de um autêntico arrecife artificial formado por rochas e inspirado nos arrecifes naturais; apenas visível desde a superfície, mas suficientemente sólido para diminuir e neutralizar as ondas que chegam até ali.

O projeto foi idealizado pelo xeique Mohammed bin Rashid al Maktoum e desenvolvido pela empresa Nakheel Properties Group. As ilhas foram construídas com 321 milhões de metros cúbicos de areia dragada de diversas costas e por 31 milhões de toneladas de rochas. A ideia é erigir um destino turístico inimaginável e vender a cada investidor sua própria ilha privada. Serão erguidas ali moradias de luxo, spas, centros comerciais, além das construções necessárias para satisfazer as necessidades de um multimilionário típico disposto a comprar uma casa nesse novo “mundo”.
A ilha correspondente à Irlanda foi vendida por US$ 38 milhões (R$ 89,1 milhões), antes inclusive de ser construída, e os excêntricos compradores se propõem a imitar uma rua irlandesa, com casas e praças, e um típico pub.

Zeimke

O iate Dubai do xeique Al Maktoum em marina da ilha Palm: acomodações de luxo para 24 pessoas

Também pretendem o impensável: reproduzir as colinas verdes da Irlanda, com penhascos e praias, coisa pouco lógica considerando que se trata de um clima desértico e que essa ilha se compõe basicamente de areia. Além disso, como irrigar com água doce um terreno no meio do mar? Mas Andrew Brett, um dos investidores, está empenhado na sua ideia, e se propõe a usar a tecnologia mais moderna para armazenar água debaixo da terra, ao invés de fazer uma irrigação tradicional. Por enquanto só se ergueram construções em duas das ilhas do arquipélago, mas de acordo com um relatório de 2012, 70% delas teriam sido vendidas a particulares.

Diferentemente de outros investimentos mastodônticos, nesse caso não parece se tratar de mera megalomania de um líder específico, mas de uma iniciativa governamental extraordinária na última década, que tem como objetivo tornar o Dubai o destino turístico número um para as pessoas mais ricas do mundo. Calcula-se que as reservas de petróleo se esgotarão em 2016, quando Dubai passará de um emirado dependente da produção petrolífera a viver do turismo. Isso poderia explicar tantos esforços por realizar obras descomunais e únicas, como se as sete maravilhas do mundo moderno pudessem ser reunidas, dessa vez, em um único território.

Tradução Simone Mateos


*Texto originalmente publicado em Brecha, semanário político sede em Montevídeo.

 

Seguem em Dubai as obras do arquipélago que será um mundo só de luxo

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