Domingo, 5 de abril de 2026
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O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, nega que tenha cometido qualquer crime, violado qualquer lei. Nega também que seja possível realizar uma eleição quando há perseguidos políticos, quando as liberdades públicas foram suprimidas.

De volta a Honduras quase três meses após ter sido expulso por um golpe de Estado, Zelaya concedeu entrevista ao jornalista Néstor Borro, da Rádio Nacional da Argentina. E declarou: “Há que se corrigir essas condições para que o processo eleitoral seja válido e realmente represente o interesse do país”.

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Quase três meses após o golpe, Zelaya volta a Honduras

Zelaya, que está abrigado na Embaixada Brasileira, disse à rede venezuela Telesur que falou por telefone com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e que aguarda um telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve viajar para Tegucigalpa amanhã (22). O presidente deposto disse que também conversou com o presidente da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza, e outros membros do organismo. “Temos muito apoio, inclusive de membros da União Europeia”, afirmou.

“Meu plano é iniciar internamente o diálogo”, disse Zelaya, que contou que ainda não falou com o gabinete do presidente golpista Roberto Micheletti. “Esperamos nas próximas horas algum tipo de comunicação”. Zelaya pediu para que o povo hondurenho venha à capital do país para protegê-lo e pediu às Forças Armadas que não intervenham para impedir sua presença e sua busca pelo diálogo.

Leia os principais trechos da entrevista à Rádio Nacional.

Como se deu sua volta a Honduras?

Graças a Deus, ao apoio internacional e do povo de Honduras, foi possível converter uma realidade difícil em uma possibilidade de diálogo com minha volta a Tegucigalpa, realizada hoje muito cedo, e estamos começando aqui todas as atividades necessárias para um grande diálogo que possibilite a reconstrução da democracia no país.

Isso foi conseguido graças ao apoio internacional que seu governo e seu povo receberam?

Nós contamos com um apoio internacional muito generoso e amplo. Os presidentes de vários países latino-americanos chegaram até aqui, como a presidente argentina, Cristina Kirchner, e o equatoriano Rafael Correa, que nos deram apoio. Também os líderes da Alba [Aliança Bolivariana para as Américas], dos Estados Unidos, da América Central deram apoio. De maneira geral, colocamos um grão de areia para esta primeira etapa. Este é apenas o início de uma etapa que esperamos que culmine nos próximos dias com a paz para nosso país.

O presidente de facto, Roberto Michelletti, disse há pouco tempo que você seria capturado.

Não tenho nenhum medo de que a Justiça possa me prender aqui ou em qualquer parte do mundo ou do país, para responder de maneira honesta e transparente. Agora bem, nestes julgamentos, também deverá considerar-se que o mundo considerou que estamos diante de um golpe de Estado, que se interrompeu a vida democrática de Honduras, onde deve ser respeitada a lei e a nossa Constituição. Neste caso, minha disposição é de me submeter ao debate da democracia e também a qualquer questionamento. Eu sou democrático e não tenho problemas para me submeter a qualquer questionamento. Não cometi nenhum delito, nunca violei uma lei, nunca cometi uma falta. Tudo o que foi dito da minha saída de Honduras foram difamações e calúnias porque me tiraram de forma violenta por parte das Forças Armadas.

Presidente, você vai participar do processo eleitoral convocado por Micheletti?

As eleições sempre são um debate que resolve uma infinidade de problemas que a democracia. Mas as eleições têm condições para poderem ser realizadas e não podem ser feitas quando não há competição em igualdade de condições, quando foram suprimidas as liberdades públicas, quando existem perseguidos políticos e muito menos quando o presidente foi deposto e exilado.

Zelaya: "Não cometi nenhum delito, nunca violei uma lei"

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