Domingo, 5 de abril de 2026
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Três dias após o retorno de Manuel Zelaya, sinais de diálogo começam a surgir em Honduras. O presidente deposto afirmou hoje (24) que conversas com diferentes setores do país para solucionar a crise política já começaram. E o líder do governo golpista, Roberto Micheletti, aceitou receber o mediador do conflito, Oscar Arias (presidente da Costa Rica), e o vice-presidente do Panamá, Juan Carlos Varela. Eles devem chegar a Tegucigalpa nos próximos dias.

“Hoje teve início (o diálogo) e, claro que sim, é positivo”, afirmou Zelaya ao canal de TV local 36. Antes, o presidente deposto recebeu o bispo auxiliar de Tegucigalpa, Juan José Pineda, na Embaixada do Brasil, onde está abrigado desde segunda-feira.

Zelaya, tirado do poder em 28 de junho, disse que planeja se reunir com representantes de diferentes setores hondurenhos. Mas não quis dar detalhes. “Não posso dar os nomes das pessoas que virão, se é significativo o que está sendo feito com o setor privado, com setores religiosos, com a imprensa e com o setor político”.

Por sua vez, o bispo auxiliar de Tegucigalpa afirmou que “todos” passaram todo “este tempo falando de diálogo”. Mas “ninguém deu o primeiro passo, ninguém quis se expor”, acrescentou.

Roberto Michelleti afirmou que o encontro com Arias foi uma sugestão do ex-presidente norte-americano Jimmy Carter, que prometeu enviar um assessor para saber mais sobre a crise política hondurenha, além de analisar um pedido de Micheletti para enviar observadores da fundação Centro Carter às eleições gerais de 29 de novembro, convocadas pelo governo golpista, e não reconhecidas pelo governo legítimo.

Enquanto aguarda a chegada de Arias, o governo de Micheletti adiou a recepção de uma missão de chanceleres de países-membros da OEA (Organização dos Estados Americanos), segundo informou em nota a Chancelaria de Honduras. 

Segundo a nota, a data para receber a missão integrada por alguns chanceleres norte-americanos e funcionários da OEA ainda não foi definida.

A delegação da Organização dos Estados Americanos seria a mesma que visitou Honduras nos dias 24 e 25 de agosto, ocasião em que tentou conseguir, sem sucesso, a aprovação da proposta apresentada por Arias, o Acordo San José, para uma saída negociada ao conflito. 



Chávez: “Socialismo é a salvação”



O golpe de Estado em Honduras e o retorno de Zelaya ao país, onde está abrigado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, continuam em destaque nos discursos da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. 

Em seu pronunciamento, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou que “a revolução está em andamento na América Latina e no Caribe” e voltou a afirmar que é fundamental a imediata volta de Zelaya ao poder. 


Peter Foley/EFE



O presidente venezuelano, Hugo Chávez, discursa em Nova York

Ele complementou dizendo que “o socialismo é o caminho e a salvação do planeta; a revolução na América Latina é uma realidade que não será mudada e continuará crescendo porque ninguém poderá freá-la”.

Ao longo do discurso, que durou quase uma hora, Chávez lembrou algumas reflexões do ex-presidente cubano Fidel Castro e culpou os países desenvolvidos pela mudança climática.

Ele disse também que a ONU “já não cheira a enxofre, mas a esperança”, apesar de dizer que a tribuna das Nações Unidas é “sete bases militares americanas na Colômbia”.

A frase foi uma referência ao discurso que ele mesmo fez na Assembleia Geral das Nações Unidas em 2006. Naquele ano, no dia seguinte ao pronunciamento do então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, a quem se referiu como “o diabo”, o venezuelano declarou que a tribuna da ONU “cheirava a enxofre”.

Acusações ao Pentágono



Durante o pronunciamento, Chávez pediu ao presidente norte-americano, Barack Obama, que mude sua política e favoreça a paz na região. Ele afirmou que o Pentágono “está por trás” do golpe de Estado de Honduras e que a Secretaria de Defesa norte-americana sabia e ainda apoiou a destituição de Zelaya.

Com isso, Chávez deu a entender que o presidente dos Estados Unidos tinha conhecimento do apoio dado por militares de seu país ao planejamento do golpe contra Manuel Zelaya. “Será que existem dois Obamas?”, questionou. “Um que apoia o golpe em Honduras ou permite que seus militares apoiem o golpe de Estado”.

E continuou: “Tomara que prevaleça o [Obama] que ontem ouvimos aqui”, disse ele, referindo-se ao discurso do presidente norte-americano durante a abertura da Assembleia da ONU, no qual ele falou da intenção de seu governo de impulsionar o multilateralismo.

Zelaya diz que já existe diálogo e Micheletti aceita receber mediador da crise política

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