Domingo, 5 de abril de 2026
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O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, voltou a denunciar hoje (25) que a embaixada brasileira, onde ele está abrigado, está sendo atacado com gases tóxicos desde segunda-feira. Em coletiva de imprensa transmitida por rádio e televisão de dentro da embaixada, Zelaya e seus aliados relataram ter recebido um relatório de um especialista hondurenho em saúde pública, chamado Maurício Castellanos, que atesta a presença de gases tóxicos no ar.
Segundo Zelaya, a medição foi realizada com um aparelho atestado pela FDA, a agência sanitária dos Estados Unidos, e constatou uma concentração acima do normal de amoníaco, que serve de base para o gás pimenta. Além disso, também foi captada a presença de 100 a 200 ppm (partes por milhão) de ácido cianídrico (HCN), que bloqueia a respiração celular. Com exposição prolongada, dependendo do nível, a inalação pode ser letal, informou o relatório.
Partidários de Zelaya que participaram da coletiva de imprensa usavam máscaras. O presidente, não. Náuseas, dores de estômago, dores de cabeça e ardência nos olhos são os sintomas que eles dizem ter sentido desde o início da manhã de hoje, quando teriam começado a sentir o ataque.
Repórteres perto da embaixada também relataram, em entrevista à Rádio Progresso de Honduras, terem sentido ardência nos olhos e visto policiais em volta da representação diplomática com nariz e boca protegidos.
O presidente deposto afirmou que o ataque foi feito por meio de um caminhão parado na frente do prédio, das casas vizinhas e de um helicóptero. Na coletiva, ele mostrou fotos do veículo que teria lançado o gás. “Essas são ações terroristas utilizadas apenas nas guerras mais cruéis da humanidade”, disse.

O governo golpista de Honduras negou as acusações de Zelaya e disse que é “totalmente falso” que tenham
sido lançados gases tóxicos dentro da Embaixada do Brasil em
Tegucigalpa.



Protestos
Os policiais e membros das Forças Armadas têm dispersado os partidários de Zelaya que estão na frente da embaixada. Uma professora da Universidade Autônoma de Tegucigalpa que pediu para não ser identificada disse ao Opera Mundi que cada operação para conter os protestos conta com cerca de mil soldados.
A professora contou que foram jogadas bombas de gás lacrimogêneo e que milhares de pessoas que estavam indo para Tegucigalpa foram detidas no caminho. “A cidade está ficando completamente vazia, fantasmagórica”, disse ela, que está na frente da embaixada desde o início da semana.
Brasileiros que são contra Zelaya relatam que a prestação de serviços em Tegucigalpa está voltando ao normal, com estoques de lojas e supermercados sendo repostos após as prateleiras ficarem vazias por conta do tumulto que se seguiu à volta do presidente.
“O toque de recolher nos surpreendeu, minha geladeira ficou parecendo o Pólo Norte porque só tinha gelo. Eu não tinha nada em casa. Todo mundo foi ao supermercado com medo de não poder sair nas ruas por muito tempo, mas agora os supermercados e postos de gasolina já foram reabastecidos”, contou a administradora de empresas, Sandra Estrada, que vive no país há 15 anos.
Sandra afirma que os telefones, sinal de televisão e rádio, conexões de internet estão funcionando normalmente. O que mais a incomoda é o fato de os protestos atrapalharem o trânsito. “Nós ficamos com o rádio ligado para ver onde estão as manifestações e não passar por perto”.
Partidários de Zelaya, no entanto, afirmam que, em alguns momentos do dia, a interrupção das transmissões dos meios de comunicação na capital ainda ocorre. Interrompido também está o tráfego de diversos caminhões, que estão parados, prejudicando o comércio e o abastecimento.
Medo de hostilidades
Representantes da Associação de Brasileiros residentes em Honduras, composta por 50 famílias, enviaram um documento para o Ministério das Relações Exteriores pedindo que o Brasil não interfira na crise política em Honduras. A presidente Elisa Resende Vieira afirmou ao Opera Mundi, por telefone, temer hostilidades contra os brasileiros por conta do abrigo concedido a Zelaya. Segundo ela, a imagem dos brasileiros “está ficando péssima”.

Abrigo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje que o presidente deposto de Honduras ficará na Embaixada brasileira tanto tempo quanto for necessário para garantir sua segurança.

“O que é anormal não é que Zelaya tenha voltado (a Honduras), mas que o tal de (Roberto) Micheletti tenha ficado”, disse Lula ao término da cúpula do G20 em Pittsburgh, em referência ao presidente do governo golpista.

Zelaya denuncia ataque com gases tóxicos à embaixada brasileira; repórteres relatam ardência nos olhos

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