Sexta-feira, 3 de abril de 2026
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Em sua visita hoje (12) ao Brasil, o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, agradeceu a posição de Luiz Inácio Lula da Silva em não reconhecer eleições antecipadas em Honduras e pela decisão de congelar projetos de hidrelétricas e estradas no país enquanto o governo golpista de Roberto Micheletti estiver no poder.

Zelaya afirmou que Lula se empenhará para que nenhum país democrático reconheça o resultado das eleições em Honduras, marcadas para novembro pelo governo golpista. “Esta é uma posição muito firme que já tomou a Unasul [União das Nações Sul-Americanas], e hoje o presidente Lula ratificou que sua posição segue firme nesse conceito. Eleições surgidas de um Estado ilegal não serão aceitas pelo Brasil”, disse Zelaya após o encontro, segundo informações da Agência Brasil.

No encontro com Lula – que durou pouco mais de uma hora -, o presidente deposto também pediu posições mais firmes da comunidade internacional, especialmente dos norte-americanos. “Honduras está submetida a uma ditadura. Os Estados Unidos têm que tomar medidas mais firmes para reverter esse processo de golpe de Estado, porque 70% da economia do país dependem dos Estados Unidos”, ressaltou, sugerindo a adoção de retaliações comerciais por parte do governo de Barack Obama.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que esteve com Zelaya, também insistiu que “os únicos que podem fazer os golpistas entenderem que não têm futuro são os Estados Unidos, por sua influência na região”.

Amorim afirmou ainda que o próprio Lula estaria disposto a conversar com Obama, se necessário, e ele mesmo se encontraria com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, mas não determinou datas.

Amanhã (13), Zelaya segue para o Chile, onde se reunirá com a presidente Michelle Bachelet, para falar sobre a crise hondurenha.

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Protestos

Milhares manifestantes foram hoje (12) às ruas da capital hondurenha Tegucigalpa pedir a volta de Manuel Zelaya ao poder. A mulher dele, Xiomara Castro, também participou do protesto onde um ônibus foi totalmente queimado.

Gustavo Amador/EFE



Polícia de Honduras tenta dissolver manifestação em Tegucigalpa



A polícia chegou a usar bombas de gás lacrimogêneo para afastar os manifestantes, e o governo golpista voltou a impor toque de recolher entre 22h e 5h.

De acordo com a Agência EFE, alguns empresários, militares e políticos também foram alvos do grupo, que também protestava contra a realização da partida de futebol entre Honduras e Costa Rica, realizado hoje pelas Eliminatórias da Copa de 2010.

Eleições em novembro

O líder do governo golpista em Honduras, Roberto Micheletti, reafirmou hoje (12), em declarações a jornalistas na Nicarágua, que as eleições gerais em seu país serão realizadas no dia 29 de novembro que o próximo presidente eleito tomará posse em 27 de janeiro de 2010.

A data da eleição foi determinada pelo Tribunal Eleitoral de Honduras no dia 28 de maio, um mês antes de os militares deterem e expulsarem do país o presidente Manuel Zelaya, de acordo com informações da Agência EFE.

Ele afirmou ainda que o Tribunal Eleitoral de seu país aprovou as eleições e que dará início à campanha eleitoral este mês, para que os políticos apresentem suas propostas. “Quero dizer aos nicaraguenses que teremos um processo eleitoral interno e os candidatos dos diferentes partidos já foram determinados, inclusive apareceram independentes pela primeira vez na história de Honduras”, disse Micheletti.

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