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A diplomacia dos EUA considerava no ano de 2006 que “as punhaladas pelas costas” eram frequentes no seio do Mercosul e que os países pequenos do bloco, como o Uruguai, sofriam pela “falta de solidariedade” dentro da organização, informou neste sábado o jornal uruguaio El País em seu site.

Segundo documentos filtrados pela organização Wikileaks aos quais teve acesso o jornal, ao longo de 2006 os analistas e conselheiros econômicos da embaixada dos EUA em Montevidéu enviaram vários documentos a seu Governo nos quais consideravam que o Mercosul tinha se transformado em uma “união política” cujos interesses se chocavam com os dos Estados Unidos.

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“Nos últimos anos, o Mercosul evoluiu de um fórum comercial benigno a uma união política” com uma agenda que “se chocou com os interesses dos Estados Unidos, particularmente desde que a Venezuela se transformou em seu quinto membro”, apontou em um de seus relatórios o encarregado de negócios da legação, James D. Nealon.

A Venezuela se encontra ainda em processo de adesão ao Mercado Comum do Sul (Mercosul), pois seu ingresso ao bloco já foi aprovado por Argentina, Brasil e Uruguai, mas o Parlamento paraguaio ainda não deu sinal verde.

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O diplomata americano assinalou em 2006, no documento filtrado, que “o jeito imprevisível de dois dos líderes do Mercosul, Néstor Kirchner, da Argentina, e Hugo Chávez, da Venezuela, complicaram ainda mais a política do Mercosul”, ao se referir ao já falecido presidente argentino e ao governante venezuelano.

Em sua análise, Nealon indicou que enquanto o Mercosul exibe “uma imagem de coesão” externa em matéria política, “há importantes disputas e frequentes punhaladas pelas costas”.

Nesse sentido, destacou que o Uruguai foi “vítima da falta de solidariedade” do Mercosul, devido ao conflito com a Argentina pela instalação de uma fábrica de celulose às margens de um rio fronteiriço, o bloqueio de uma de suas passagens de fronteira e o desinteresse do Brasil pelo tema.

Além desses problemas, o encarregado de negócios considerou que “a agenda comercial do Mercosul pode ser catalogada como pouco mais que um fracasso”, depois da impossibilidade de alcançar um acordo com seu país e da estagnação nas negociações com a União Europeia.

“Tudo o que o Mercosul conseguiu completar são moderados acordos Sul-Sul. Uma Tarifa Externa Comum com mais buracos que substâncias e a crescente propensão de Argentina, Brasil e Venezuela a acordos bilaterais, sem consultar os membros pequenos, são mais provas da insatisfatória política externa do Mercosul”, afirmou Nealon.

Na quinta-feira passada, o jornal El País começou a publicar documentos diplomáticos relativos ao Uruguai filtrados pelo Wikileaks, datados de 2006 e 2007 e nos quais revela, entre outras coisas, a simpatia que o então presidente do Uruguai, o socialista Tabaré Vázquez, recebia dos EUA por ser considerado um líder “moderado e confiável”.

Além disso, os diplomatas americanos criticavam duramente como “antiamericano” o então chanceler uruguaio Reinaldo Gargano, acusado de torpedear as tentativas de um tratado de livre-comércio entre Estados Unidos e Uruguai.

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WikiLeaks revela duras críticas dos EUA ao Mercosul

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