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Em despacho enviado em 22 de agosto de 2009, a embaixadora dos Estados Unidos no Panamá, Barbara Stephenson, relata seu espanto após receber uma mensagem de texto em seu celular do presidente panamenho, Ricardo Martinelli, com a frase: “Preciso da sua ajuda para grampear telefones”. 

Acesse o documento na íntegra aqui

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Segundo a diplomata, Martinelli teve a intenção de utilizar a infraestrutura do DEA (Drug Enforcement Administration ou Força Administrativa de Narcóticos) para espionar seus opositores políticos e governos de esquerda. O DEA é um órgão de polícia federal do Departamento de Justiça dos EUA encarregado da repressão e controle de narcóticos e realiza escutas telefônicas com o auxílio da polícia panamenha na chamada “Operação Matador”, destinada a combater o narcotráfico na América Central.

“Sua tendência para intimidar e chantagear pode ter influnciando seu estrelato no mundo dos supermercados, mas é pouco apropriada para um estadista”, escreveu Stephenson.

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Após receber a mensagem, a diplomata pediu aos funcionários da embaixada que fossem atrás de mais informações. O ministro da Presidência do Panamá, Jimmy Papadimitriu, explicou na época que o presidente tinha como objetivo estabelecer um sistema de escutas telefônicas para se proteger de “indivíduos” ameaçados pela luta empreendida pelo governo contra a corrupção e também de potenciais manobras desestabilizadoras por parte de “governos esquerdistas da região”.


Espanto

Conforme o documento divulgado pelo jornal espanhol El País, a preocupação da embaixadora frente ao pedido de Martinelli cresceu assim que ela conversou pessoalmente com o presidente. “Estamos às escuras frente ao crime e à corrupção”, afirmou o líder panamenho.

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Segundo ele, o DEA deveria compensar o Panamá pelas informações que obtinha no país centro-americano e sugeriu nomes de indivíduos que poderiam ser submetidos a escutas. “[Martinelli] não fez distinções objetivos legítimos de segurança e inimigos políticos”, ressaltou a embaixadora. Quando lStephenson o lembrou que as atividades do DEA já beneficiavam o Panamá, “Martinelli fez uma ameaça implícita de reducir a cooperação antinarcóticos caso os EUA não lhe ajudassem com as escutas”.

“Martinelli se apresentou como um candidato pró-EUA e agora presume que temos uma dívida com ele, como contrapeso ao governo de  Hugo Chávez na região”, conclui Stephenson. “Nosso objetivo é convencê-lo de que os anos 1980 ficaram para trás.”

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Wikileaks: Presidente do Panamá pediu ajuda dos EUA para realizar escutas telefônicas

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