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Documentos diplomáticos dos Estados Unidos, vazados pela organização Wikileaks, mostram que as petrolíferas norte-americanas desaprovavam as novas regras para a exploração da bacia do pré-sal, aprovadas pelo Congresso brasileiro. Além disso, os despachos, enviados pelo consulado norte-americanos entre 2008 e 2009, revelam que o ex-governador de São Paulo e candidato à Presidência nas eleições brasileiras, José Serra, prometeu aos EUA que a regra seria alterada caso ele vencesse.

“Deixa esses caras [do PT] fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”, disse Serra a Patricia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o governo da petrolífera norte-americana Chevron, segundo o documento, revelado pela Folha de S. Paulo.

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Patrícia também se ressentia de que o então candidato da oposição não tenha expressado “um senso de urgência para a questão”. O então cônsul norte-americano Dennis Hearne confirmou a percepção da executiva ao escrever que fontes do Congresso disseram que Serra recomendara ao PSDB e outros partidos da oposição que fizessem emendas aos projetos, mas não se opusessem a eles.

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A maior preocupação das petrolíferas norte-americanas, conforme outro documento escrito no fim de 2009, é com a possibilidade de a Petrobras ser a única operadora do pré-sal.

Patrícia Pradal, que fala na condição de representante do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), que reúne empresas do setor, disse que o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, e o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Franklin Martins, estão por trás da estratégia do governo e expressa respeito por eles, salienta Hearne. “Eles são profissionais e nós, amadores”, afirmou Patrícia, segundo o relato.

A executiva afirma ainda que a criação da Petrosal – nova estatal que vai fiscalizar a atividade das companhias no pré-sal – teve motivação política. “O PMDB precisa ter sua própria empresa”, afirmou, segundo o documento. 

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A então cônsul-geral dos EUA no Brasil Elizabeth Lee Martinez também ressaltou em seus despachos as preocupações de empresários quanto ao futuro do pré-sal. “McCaslin (então presidente da Anadarko, Kurt McCaslin) está preocupado com a possibilidade de escassez de petróleo causada por atrasos na produção, que podem levar a uma instabilidade no governo e à consequente mudança na lei, requerendo que empresas estrangeiras vendam (petróleo) à Petrobras”, em nome da segurança energética brasileira, diz um documento referente a encontro realizado no Rio, em 6 de junho de 2008, entre o ex-embaixador Clifford Sobel e executivos de cinco petrolíferas americanas. Além dele, participaram do evento representantes de Exxon Mobil, Chevron, Devon e Hess.

Mas, mesmo com a mudança na Lei do Petróleo, as companhias dos EUA ainda demonstram interesse em participar da exploração do petróleo do pré-sal. Nos despachos, o pré-sal é chamado pela ex-cônsul Elizabeth Lee Martinez de “nova excitante descoberta” e “oportunidade de ouro” para as empresas norte-americanas oferecerem tecnologia para a exploração.

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Wikileaks: petrolíferas norte-americanas eram contra novas regras do pré-sal

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