Wikileaks: para os EUA, governo Lula estaria mais perto de Washington do que de Caracas e Havana
Wikileaks: para os EUA, governo Lula estaria mais perto de Washington do que de Caracas e Havana
Antes de assumir o primeiro mandato, iniciado em 2003, o então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e seus assessores demonstravam que o futuro governo brasileiro seria mais alinhado com os Estados Unidos e mais distante da Venezuela e de Cuba, avaliou a o Departamento de Estado norte-americano, segundo mensagens divulgadas pelo site Wikileaks.
Em novembro de 2002, o assunto de uma primeira reunião entre o então subsecretário de Estado para o Continente, Otto Reich, os futuros ministros da Casa Civil José Dirceu, e da Fazenda, Antonio Palocci, o senador eleito Aloizio Mercadante e Lula, foi o Fórum de São Paulo, as relações com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e as diretrizes da diplomacia do novo governo.
Uma mensagem enviada no dia 22 de novembro de 2002 diz que o encontro foi “caloroso e produtivo” e os políticos brasileiros afirmam que a participação do país no Foro de São Paulo – encontro de partidos políticos e organizações de esquerda da América Latina e Caribe – representava uma tentativa de dar um exemplo democrático ao continente. O movimento foi fundado em 1990 por Fidel Castro e pelo PT (Partido dos Trabalhadores). Por ter sido uma iniciativa do então presidente cubano, o movimento é visto com resistência pelos EUA. No encontro, foi dito também que não havia interesse do Brasil em se relacionar com as FARC, e que o plano era desempenhar uma diplomacia dura.
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O relato mostra também que esse encontro foi considerado positivo pelos EUA por reforçar a impressão de que Lula tentava se afastar de Cuba. Na reunião, Lula estava “animado, elegante e descansado” e teria dito que queria ter uma boa relação com Bush: “acho que dois políticos como nós vamos nos entender quando nos encontrarmos frente a frente”. Dois anos depois, ele voltaria a elogiar o presidente Bush, agradecendo “calorosamente” por sempre ter sido tratado com respeito e gentileza pelo norte-americano.
Na ocasião, Dirceu, Palocci e Mercadante defenderam a prioridade aos parceiros do Mercosul e Dirceu chegou a interromper Mercadante para dizer que as negociações bilaterais são importantes “mas teriam que ser feitas dentro dos compromissos regionais do Brasil”.
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Já no segundo mandato de Lula, o então embaixador norte-americano no Brasil, Clifford Sobel, que começou suas atividades em novembro de 2006, escreveu em uma mensagem a Washington que Lula dava muita importância às relações pessoais com os presidentes para conduzir a política externa.
Ao relatar um encontro de despedida do cargo com o presidente brasileiro, em julho do ano passado, Sobel contou também que o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, tem maior peso sobre as decisões da América do Sul do que o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim.
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