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Um julgamento político. É dessa forma que diplomatas norte-americanos classificaram em documentos vazados pelos Wikileaks o caso do ex-oligarca do petróleo Mikhail Khodorkovski, condenado nesta segunda-feira (26/12) a mais 14 anos de prisão por fraude e lavagem de dinheiro. 

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Khodorkovski, que cumpre desde 2003 oito anos de pena em uma prisão na Sibéreia, denuncia que os procesos têm motivações políticas e procura legitimar o desmantelamento da Yukos, que foi a maior petrolífera privada da Rússia, em benefício da concentração das atividades ligadas ao gás e ao petróleo em dois gigantes russos: Gazprom e Rosneft.

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Em um despacho enviado a Washington em abril de 2007, o embaixador dos Estados Unidos em Moscou, William J. Burns, descreve encontro com o advogado do empresário russo, Yuriy Shmidt, em que ele se mostrava convencido de que Khodorkovski permaneceria preso enquando o primeiro-ministro, Vladimir Putin, estivesse no poder.

Ainda em 2007, Shmidt explica ao embaixador dos EUA que a promotoria havia escolhido uma prisão na Sibéria para o cumprimento da pena para dificultar a defesa de seu cliente. “Concretamente [o advogado] disse que é difícil chegar a Chitá e que lá não há impressoras ou a infraestrutura para preparar o caso”, escreveu Burns.

Em dezembro de 2009, diplomatas dos EUA destacaram em despacho que o esforço do governo russo era dar um “verniz de direito” a um julgamento com motivações políticas. No documento era indicado que o governo tratava de se preservar em um sistema onde “os inimigos políticos são eliminados com total impunidade”.

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Os funcionários se utilizaram de várias pesquisas de opinião para afirmar que a maioria dos russos estava plenamente convencida que o julgamento de Khodorkovski tinha motivação política, “mas, sinceramente, não lhes importa que isso aconteça”. Os despachos dizem que Putin acusou Khodorkovski de assassinato em um programa de televisão em dezembro de 2009, como o fez recentemente no mesmo programa. Na época, escrevem os diplomatas, a maioria dos entrevistados não acreditou nas palavras do primeiro-ministro.

Em outro depacho, de fevereiro de 2008, os diplomatas norte-americanos analisam o sistema carcerário russo e concluem que é quase tão corrupto, vexatório e carente de condições sanitárias como os “da época dos czares”. O documento descreve um panorama no qual os funcionários das prisões usam tortura psicológica e ameaças em presos para vigiar o resto dos presidiários, em um sistema muito parecido ao usado nos guetos durante a Segunda Guerra Mundial. Nesse sistema de “baixo risco” para os carcereiros, se um preso é assassinado por outros”, é “fácilmente substituído”.

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Wikileaks: EUA veem julgamento de ex-oligarca do petróleo russo como 'político'

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