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Documento diplomático vazado pelo Wikileaks revela que os Estados Unidos estavam insatisfeitos com a política de combate ao terrorismo na Tríplice Fronteira, região territorial que une Brasil, Argentina e Paraguai. No texto, EUA ainda avaliam que essa opinião estaria sendo desconsiderada, principalmente pelo governo brasileiro.

“Como o Brasil se torna mais confiante em sua liderança regional, o Itamaraty está se tornando mais confortável em dizer aos EUA que nossa presença não é necessária”, diz a mensagem.

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A preocupação dos norte-americanos com a Tríplice Fronteira é justificada pela desconfiança de que há grupos terroristas na região. Após o atentado de 11 de Setembro de 2001, os EUA foram convidados a participar do “3 Plus 1”. O grupo é ligado ao Comando Tripartite, formado pelo Brasil, Argentina e Paraguai, que fiscaliza e protege a fronteira entre os três países.

O despacho foi escrito pelo embaixador norte-americano, Clifford Sobel, em fevereiro de 2009. Na mensagem, o embaixador avalia que o “3 Plus 1” tem tratado o terrorismo como uma preocupação secundária e que o Brasil tenta impedir que o tema se torne uma prioridade nas discussões. “O Itamaraty desliga a maioria das discussões que estão explicitamente como foco atender as atividades relacionadas com o terrorismo”, declara o embaixador.

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Sobel diz que o Brasil busca evitar que o “3 Plus 1” priorize a luta contra o terrorismo porque, na visão dos brasileiros, não haveriam provas de que existem células terroristas na América Latina. “O Brasil usa da nossa reticência em compartilhar informações neste fórum para afirmar que não há evidências de atividade terrorista na Tríplice Fronteira e que, se temos tais provas, não deveríamos nos recusar a mostrá-las”, justifica.

A mensagem explica que o “3 Plus 1” foi criado com o objetivo de combater o crime organizado e atividades terroristas. Porém, devido a “insistência dos EUA”, o foco do grupo passou a ser exclusivamente grupos terroristas e suas fontes de financiamento, “ofuscando e diminuindo” o combate a outras “áreas ligadas a crimes como o contrabando de drogas, armas e pessoas, além de lavagem de dinheiro.”

O embaixador norte-americano aponta duas opções que poderiam levar o Brasil a apoiar o debate do terrorismo. Uma delas seria exigir que o governo brasileiro cumpra as resoluções da ONU que determinam a necessidade de “atualizar a legislação anti-terrorismo” e a outra a “boa vontade” do Brasil em relação ao presidente Obama, que, na época, estava no início do seu mandato.

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Wikileaks: EUA criticaram posição do Brasil de negar existência de células terroristas na Tríplice Fronteira

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