Wikileaks: Embaixada dos EUA critica incapacidade do Iêmen para combater a exploração infantil
Wikileaks: Embaixada dos EUA critica incapacidade do Iêmen para combater a exploração infantil
O tráfico e a exploração infantil são apontados como dois graves problemas sociais enfrentados pelo Iêmen. A conclusão foi tirada de um documento dos Estados Unidos divulgado pelo WikiLeaks. Um dos dados, enviado da embaixada de Sanaa para os EUA, traz o alerta: “Um estudo da ONG Seyaj diz que, em 2007, havia cerca de 700 mil crianças em condições de trabalho forçado no Iêmen e estima que esse número deve duplicar”, diz o despacho.
A “deterioração econômica e social”, aliada com a ausência de políticas para coibir o tráfico são consideradas as principais causas que permitem aos exploradores recrutar jovens diretamente com suas famílias. Segundo o texto, alguns pais chegam a receber parte do rendimento mensal de seus filhos.
De acordo com a mensagem, os traficantes buscavam as crianças
principalmente nas províncias localizadas nas regiões rurais e, em
seguida, as enviavam para as principais cidades do país, como Áden,
Sanaa, Taiz e Hudeidah, ou para o exterior.
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O despacho explica que os jovens vivem em condições análogas à escravidão e não recebem o tratamento mínimo necessário. “As crianças são privadas de todos os direitos. Eles não frequentam a escola, não podem ter acesso a cuidados médicos quando necessário e sofrem com a violência doméstica”, diz o texto.
Os principais trabalhos ao qual as crianças são submetidas estão relacionados à exploração sexual e ao trabalho forçado em atividades ligadas ao sub-emprego. Algumas delas, quando crescem, acabam explorando outros menores.
O despacho comenta que várias crianças são enviadas para países vizinhos do Iêmen, principalmente a Arábia Saudita, e explica que por elas estarem em condições ilegais no país, não podem denunciar os abusos e crimes que sofrem às autoridades.
A embaixada critica o Iêmen por não desenvolver uma política capaz de combater o tráfico infantil. A mensagem classifica o parlamento iemenita como “fraco” e diz que ele estava “distraído com outras questões internas”. Por isso, não reformam as leis anti-tráfico classificadas como “fragmentárias e inconsistentes”.
Outra crítica diz respeito à falta de investimentos no combate à exploração infantil. “Funcionários (do Iêmen) relataram que não conseguiram viajar para províncias por falta de recursos financeiros”.
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