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Um dos documentos mais críticos ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) entre os vazados pelo site Wikileaks foi um despacho enviado ao Departamento do Estado norte-americano em 29 de maio de 2009 pelo então cônsul em São Paulo, Thomas White, sob o título O Método MST: trabalhar com o Estado, alienar os locais.

O documento será publicado neste domingo na página do Wikileaks.

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Segundo o texto, o consulado procurou um pesquisador do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos em Reforma Agrária da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista), em Presidente Prudente (SP), Clifford Welch. Ele teria afirmado ao consulado que “o MST segue uma metodologia pré-planejada nas ocupações de terra que inclui contatos com o Incra para ajudar a selecionar alvos”. De acordo com Welch, depois de negociar a posse da terra e distríbuí-la aos assentados, seria a hora de lucrar.

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“Em uma prática cínica e irônica, os membros do MST algumas vezes terminam alugando para o agronegócio a mesma terra que eles conseguiram”, descreve o despacho.

Welch também teria afirmado que o MST tem informantes dentro do Incra, órgão do governo federal responsável por coordenar a reforma agrária.

“Welch disse ao representante econômico da embaixada que o Incra não publica as informações que detêm e a única maneira de o MST ter acesso seria através de informantes dentro do órgão”.

ABr (14/6/2007)



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Em seguida, o cônsul observa que houve pelo menos um caso em que um ex-funcionário do Incra ingressou no MST.

Welch, que é visto como uma pesquisador “pró-MST” teria ainda alegado que, na verdade, as famílias de sem-terra não são formadas por cinco pessoas na média, como diz o movimento, mas por três.

“Isso significa que o número de integrantes do MST, estimado em 1.5 milhões de pessoas, na verdade está superestimado em 40%”, avalia o documento.

Crítica

O representante da embaixada também procurou “locais” como o prefeito de Presidente Prudente e o presidente da FIESP local, que disseram que as ocupações derrubaram o preço da terra em um terço.

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“Conversas com cidadãos de Presidente Prudente, no interior de São paulo, indicaram que poucas pessoas na comunidade apoiam o MST”, diz o documento. “Locais que não são do MST prefereriam que eles saíssem, pois temem que as táticas do movimento vão afastar investimentos estrangeiros no local”.

A conclusão do ex-cônsul é taxativa. “A prática do MST de distribuir lotes de terra fértil a seus fiéis e de alugar a terra de novo ao agronegócio é irônica, para dizer o mínimo. O presidente Lula tem sido flagrantemente silencioso com suas promessas de campanha de apoiar o MST por uma boa razão: uma organização que ganha terra em nome dos sem-terra e que depois a aluga para as mesmas pessoas de quem tirou tem um sério problema de credibilidade”, finaliza o despacho.

*Especial para o Wikileaks



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Wikileaks: Consulado dos EUA acusou MST de ''alienar os locais'' em regiões com ocupações

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