Wikileaks: Brasil rejeitou pressão dos EUA para assinatura do Tratado de Não-Proliferação Nuclear
Wikileaks: Brasil rejeitou pressão dos EUA para assinatura do Tratado de Não-Proliferação Nuclear
Uma série de documentos secretos divulgados pelo Wikileaks revelou como aconteceu uma negociação entre Estados Unidos e Brasil para a assinatura do Tratado de Não-Proliferação Nuclear.
Um dos despachos relata uma conversa entre o embaixador norte-americano Clifford Sobel e o presidente da Eletronuclear Othon Pinheiro datada de 4 de fevereiro de 2009. No encontro ficou claro o descontentamento brasileiro com relação à pressão exercida pelos norte-americanos.
Pinheiro informou que o Brasil precisava ser tratado como Japão, Alemanha e outros países desenvolvidos, e não como o Iraque e o Irã, países que tentam desenvolver armas nucleares”, diz o documento.
Leia mais:
Blog especial do Opera Mundi reúne cobertura dos vazamentos do Wikileaks
Ex-banqueiro suíço entrega dados de clientes ao Wikileaks
Wikileaks doa US$ 15,1 mil à defesa de soldado suspeito de vazar documentos
Por dentro do Wikileaks: a democracia passa pela transparência radical
Durante a conversa, Pinheiro afirmou que o Brasil não tem interesses na proliferação de armas nucleares, mas considera as inspeções previstas no acordo como “invasivas”.
O documento detalha que a justificativa brasileira para demora em assinar o acordo estaria na Constituição, que na afirmação do presidente da Eletronuclear restringia as inspeções. Além disso, o envolvimento de inspetores de diferentes países exporia a tecnologia nuclear brasileira, algo “muito perigoso” na opinião de Pinheiro.
O presidente da Eletronuclear, porém, aponta uma possível alternativa para o problema, sugerindo que “o acompanhamento acontecesse de forma indireta, através de sensores. Estes sensores detectariam a presença de material nuclear”.
Pinheiro explica que consultou o Dr. Carlos Feu, da Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (ABACC), que garantiu que essa técnica impediria que pessoas não autorizadas tivessem acesso à tecnologia e preveniria desvios de material nuclear.
Jobim
Em 5 de fevereiro de 2009, um dia após o encontro com Pinheiro, representantes da embaixada norte-americana conversaram com o ministro da Defesa, Nelson Jobim. O embaixador norte-americano o questionou sobre a sugestão dada por Pinheiro e, de acordo com a mensagem, Jobim disse que ela poderia ser uma opção.
O documento revela que, ao perguntar ao ministro quais outros possíveis interlocutores brasileiros da questão nuclear poderiam ser incluídos, escutou que as conversas deveriam passar exclusivamente por ele e não pelo Ministério das Relações Exteriores.
A mensagem da embaixada aponta uma crítica feita pelo ministro à iniciativa norte-americana de tentar se encontrar com o professor brasileiro Dalton Barbosa, pesquisador do Centro Tecnológico do Exército no Rio de Janeiro e autor de um artigo científico sobre armas nucleares. “Ele declarou que agiu para por um fim em qualquer tentativa de interrogatório de inspetores da AIEA [Agência Internacional de Energia Atômica] ”, afirma a mensagem.
Siga o Opera Mundi no Twitter
Conheça nossa página no Facebook
NULL
NULL
NULL























