Voto contra sanções ao Irã não elimina chances do Brasil no Conselho da ONU, dizem analistas
Voto contra sanções ao Irã não elimina chances do Brasil no Conselho da ONU, dizem analistas
A aprovação de um novo pacote de sanções contra o Irã no Conselho de Segurança da ONU, nesta quarta-feira (9/6), por causa do programa nuclear do país, criou ruídos em relação às possíveis consequências que o voto contrário dado pelo Brasil pode representar futuramente para a política externa nacional.
Para o ex-ministro das Relações Exteriores Luiz Felipe Lampreia, a atitude do Brasil é um “desastre total”, porque, segundo ele, dá ao país uma “projeção negativa mundialmente”, principalmente diante das principais potências econômicas – das quais, acredita, o Brasil deveria se aproximar.
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“O posicionamento do Brasil de se destacar, sendo um dos únicos [junto com a Turquia] a votar contra o pacote de sanções, é extremamente negativo e provoca uma situação de isolamento internacional do país, como a do Irã”, disse.
Para ele, a atitude pode até mesmo ter minado as chances do Brasil de conquistar uma possível cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU.
“Se a votação a respeito da entrada do Brasil no Conselho de Segurança fosse hoje, depois de tudo que aconteceu, as chances de aprovação seriam nulas. Futuramente, nunca se sabe. É possível que um dia isso possa ficar em segundo plano, ou seja minimizado, por outros problemas que o Brasil pode causar, mas eu acredito que esta atitude será bastante significativa nesse aspecto”, argumentou Lampreia.
Coerência
No entanto, a professora Cristina Pecequilo, de Relações Internacionais da UnB (Universidade de Brasília) e da UNESP (Universidade Estadual de São Paulo), discorda e vê com bons olhos o posicionamento brasileiro.
Para ela, o voto contra o pacote de sanções, além de “esperado”, foi “absolutamente coerente”, já que desde o início o Brasil vinha fazendo esforços para solucionar o impasse com acordos como o acordo assinado com Turquia e Irã.
“O Brasil manteve uma posição lógica e bastante sólida, mantendo os princípios que defendeu desde o início: obrigatoriedade no cumprimento de outras questões antes da aplicação de sanções”, explicou.
Boa vontade
Sobre a discórdia com as principais potências econômicas e militares, como Estados Unidos, China e Rússia, Pecequilo não acredita em consequências prejudiciais ao Brasil, e que falar em isolamento internacional é um “verdadeiro exagero”.
“Não acho que este voto contra o pacote de sanções – que já poderia ser premeditado pelas grandes potências – vá interferir na projeção global do país. É claro que existem ruídos e questionamentos por parte de alguns países, principalmente os EUA, mas não acredito que o Brasil vá se prejudicar neste embate por causa de um posicionamento contrário”.
Já em relação às chances do Brasil em conquistar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, Pecequilo afirma que a aprovação dos cinco países membros não depende do posicionamento tomado hoje pelo Brasil.
“A verdade é que o processo de reforma do Conselho de Segurança encontra-se travado independente da questão iraniana ou outras polêmicas que vêm sendo discutidas. A mobilidade deste Conselho e a possibilidade de reestruturação do organismo vão muito além de tudo isso e depende essencialmente da ‘boa vontade’ dos países envolvidos”, argumentou.
Quebra de confiança
Para a professora, a oposição brasileira expôs ainda a inadequação do pacote aprovado. Para ela, as sanções não solucionam a questão e podem levar a um agravamento da situação internacionalmente.
“Estas sanções representam uma importante quebra de confiança, já que anteriormente houve um acordo que propunha uma resolução real do impasse. Além disso, grande parte da comunidade internacional passa a exercer uma pressão bastante considerável e desleal sobre o Irã, pois refletem essencialmente a dinâmica norte-americana de controle”, disse.
Em relação à insatisfação do pacote aprovado, Lampreia concorda, porém por outros aspectos. “O pacote de forma alguma soluciona o impasse da questão. Sem dúvida ele não é o ideal, pois não impede a efetivação do programa nuclear, apenas atrasa o processo e torna as coisas mais difíceis para o Irã”, concluiu.
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