Sexta-feira, 3 de abril de 2026
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As 92 vítimas de um dos piores massacres feitos pelo Exército no conflito armado entre o governo do Peru e o grupo guerrilheiro Sendero Luminoso foram enterradas na cidade de Putis, no departamento (estado) de Ayacucho, 25 anos depois dos ocorrido. Os peritos só conseguiram identificar 28 corpos, e estima-se que 120 pessoas tenham morrido no massacre. Os corpos recuperados foram encontrados em um túmulo coletivo no ano passado.

Os enterros culminaram em uma procissão funerária de dois dias que percorreu o departamento de Ayacucho. Diversas famílias usando trajes tradicionais andaram 48 quilômetros com os caixões – muitos contendo apenas partes dos restos mortais. O enterro começou por volta do meio-dia (14h20, horário de Brasília), e a primeira a ser sepultada foi Filomena Madueño Coronado, segundo o jornal peruano La República. 

Max Cabello/EFE


Familiares e sobreviventes do massacre na comunidade de Putis, no Peru, participam de procissão antes do enterro de 92 vítimas 
Em dezembro de 1984, uma comunidade de camponeses fugia de um grupo do Sendero Luminoso e buscou refúgio em una base militar na comunidade de Putis, onde foram assassinados pelos militares. Os camponeses – muitos deles crianças e mulheres – receberam tiros das forças armadas após alguns terem sido enganados para cavar o próprio túmulo coletivo, de acordo com a comissão governamental de investigação do caso. Os militares suspeitavam que o camponeses estavam colaborando com o Sendero Luminoso.

Das 70 mil vítimas da guerra, 40% foram mortas no estado de Ayacucho – que na língua Quechua significa 'a esquina dos mortos'.

Parentes das vítimas e sobreviventes manifestaram que não descansariam até que os assassinos estivessem presos, mas ninguém foi acusado dos assassinatos de Putis. O ministro da Defesa, Rafael Ray, disse que “não é possível descobrir os nomes [dos militares]”.

O secretário-executivo da Comissão da Alto Nível, Jesús Aliaga, anunciou que ano que vem começarão as reparações individuais, que serão focadas nas áreas que mais sofreram com a violência.

Uma das sobreviventes, a peruana Modesta Quispe disse ao jornal La República que, naquela noite do massacre, escapou dos assassinos de seus familiares fugindo pelas colinas. Para ela, o enterro dos parentes representou um reconforto, ainda que nem todos os restos mortais de sua família tenham sido encontrados.

O grupo guerrilheiro Sendero Luminoso quase venceu o governo peruano no final da década de 1980, mas perdeu força depois da captura de seu líder, Abimael Guzman, em 1992.

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