Visitas de Peres e Abbas marcam chance para Brasil ter papel destacado no Oriente Médio
Visitas de Peres e Abbas marcam chance para Brasil ter papel destacado no Oriente Médio
As visitas ao Brasil dos presidentes de Israel, Shimon Peres, iniciada nesta terça-feira (10), e da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, programada para a próxima semana, podem marcar uma maior aproximação e articulação brasileira no cenário do Oriente Médio, acreditam parlamentares brasileiros e representantes dos povos da região. Para eles, o país sempre manteve uma boa relação tanto com israelenses quanto com palestinos, e por isso teria facilidade para trabalhar mais ativamente como mediador em negociações de paz na região.
Em discurso no Senado nesta tarde, Peres afirmou que existe hoje muita força nas posições do Brasil, cuja “voz clara e positiva pela paz tem eco no mundo inteiro”. O presidente israelense disse saber que o Brasil apoia a solução com os dois Estados (Israel e Palestina) como a única opção viável, e disse ser essa também a posição dele.
“Judeus e muçulmanos viveram juntos no passado. Podemos, sim, viver juntos agora novamente. Abraão era patriarca de todos. Irmãos não precisam brigar”, afirmou aos senadores e deputados que encheram o plenário do Senado.
Peres se dirigiu também diretamente ao presidente da ANP: “Aproveito aqui para chamar Abbas a continuarmos as negociações. Israel está pronto para fazer concessões difíceis e dolorosas para atingir a paz, e queremos ser vizinhos tranquilos”, disse.
O embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Al Zeben, também acredita que o Brasil pode ajudar nas negociações de paz. “O Brasil já demonstrou esse papel, e vem trabalhando nesse sentido há quase quatro anos. Estamos satisfeitos com o trabalho para aproximar os pontos de vista e ajudar a chegar à paz”, disse ele ao Opera Mundi. Al Zeben também considera que o Brasil tem mostrado uma posição equilibrada nas discussões, o que sem dúvida contribui para o processo.
Senadores da base aliada e da oposição concordam com a posição privilegiada do Brasil para auxiliar nas conversas entre Israel e Palestina. Para o líder do PT no Senado, Aloísio Mercadante (SP), o Brasil tem uma cultura de diálogo e uma relação histórica com Israel desde a fundação do Estado judeu. Tanto Mercadante quanto o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) destacaram que o Brasil, além de uma longa tradição de paz, tem em seu território grande comunidades judaicas e muçulmanas convivendo com tranquilidade.
Simpatia
Apesar do otimismo das autoridades, o professor Samuel Feldberg, de relações internacionais das Faculdades Integradas Rio Branco, mostrou-se muito mais cético sobre a questão. “Acho que não existe nenhuma contribuição efetiva que o Brasil possa dar. As grandes potências mundiais, os Estados Unidos e a União Europeia, têm um envolvimento muito profundo nessa questão há décadas, sem muito sucesso. Não vejo muita vantagem na introdução do Brasil no processo”, afirma.
Segundo Feldberg, especialista em Oriente Médio, muito se fala que o Brasil tem uma posição simpática no mundo, mas isso não tem muita relação com a questão da paz na região.
No entanto, Azeredo rebate o argumento, avaliando que exatamente pelo fato de o Brasil ser um ator novo nesse processo, com um peso já reconhecido no mundo e identificado pelos dois lados como imparcial na questão, é que pode auxiliar mais. O embaixador Al Zeben segue a mesma linha. “Não concordo que o Brasil não possa ajudar, todo esforço é válido. A Noruega também não é uma superpotência, mas deu um salto qualitativo para ajudar a paz há 15 anos”, compara.
Relações comerciais
Mas Feldberg vê também possíveis prejuízos ao Brasil. “O Brasil tem tantos problemas para resolver, que acho que a tentativa de ajudar só traz efeitos negativos. O Lula vai apostar seu prestígio e seu capital político em um tema em que praticamente só teria a perder, pois a probabilidade de sucesso é muito pequena. Acredito que só traria desgaste”, ressalta.
Mercadante também comentou que, aproveitando a visita de Peres, o governo pretende votar amanhã no plenário do Senado o acordo de livre comércio entre Israel e o Mercosul, que prevê a liberalização total de mais de 90% do comércio em até dez anos.
Atualmente, o comércio entre Brasil e Israel é bastante favorável aos israelenses. Em 2008, foram 398,6 milhões de dólares em exportações brasileiras (alta de 12% sobre 2007) e 1,2 bilhão de dólares em importações (80,5% a mais que no ano anterior).
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