Domingo, 10 de maio de 2026
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Os confrontos entre a polícia e manifestantes que protestavam contra a ampliação de uma mina de carvão na Alemanha, no sábado (14/01), deixaram dezenas de feridos entre os manifestantes e as forças de ordem. O ato era encabeçado pela militante ecologista Greta Thunberg.

O protesto em Lützerath, no oeste do país, reuniu entre 15 e 35 mil manifestantes, conforme contagens da polícia e dos organizadores, respectivamente. As autoridades policiais revelaram neste domingo (15/01) que 70 agentes ficaram feridos nos confrontos e 150 pessoas estão sendo investigadas pelas violências.

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Já o coletivo Lützerath lebt! (Lützerath vive!) indica que “dezenas” de participantes se feriram, alguns gravemente, devido aos ataques de cães da polícia e jatos de água. O conflito começou depois que centenas de militantes tentaram entrar em áreas restritas da mina, informaram as forças de segurança.

A polícia chegou a se pronunciar no Twitter pedindo para que as pessoas “saíssem desta área imediatamente!”. Pelo menos 20 ativistas foram levados ao hospital, afirmou Birte Schramm, socorrista do movimento que ocupa a cidade. Schramm especificou que alguns deles foram “golpeados pela polícia no estômago e na cabeça” e que sofreram ferimentos que podem “colocar suas vidas em risco”. Nesta manhã, o local estava calmo.

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Os arredores do complexo são ocupados há dias pelos ativistas contrários às obras de expansão da mina de lignito a céu aberto, entre Düsseldorf e Colônia. Desde quarta-feira (11/01), os policiais tinham ordem de desmantelar os acampamentos dos manifestantes.

Protesto em Lützerath, no oeste do país, encabeçado pela militante ecologista Greta Thunberg, reuniu cerca de 35 mil manifestantes

DPA

Greta Thunberg discursa durante protesto em Lützerath, na Alemanha

Situação embaraçosa para o governo

A operação de evacuação é politicamente delicada para o governo de coalizão do primeiro-ministro social-democrata Olaf Scholz, que governa ao lado dos Verdes. Mas o governo avalia que a ampliação na mina é necessária para aumentar a segurança energética da Alemanha, para compensar a interrupção das entregas de gás russo depois do início da guerra na Ucrânia.

Os opositores, entretanto, alegam que essa razão é menos importante do que o combate às mudanças climáticas – das quais as emissões de CO2 das energias fósseis, e em especial o carvão, são as principais causadoras. O plano criticado prevê que o trecho localizado na bacia do rio Reno entre Düsseldorf e Colônia seja removido para que seja possível ampliar a mina de lignito, operada pela empresa alemã de energia RWE.

“É uma vergonha que o governo alemão firme acordos e compromissos com empresas como a RWE”, declarou Greta Thunberg, em meio ao protesto. “O carvão de Lützerath deve permanecer no solo”, proclamou, diante dos manifestantes, pedindo para que não se sacrifique o clima às custas do “crescimento a curto prazo e da ganância empresarial”.

O movimento foi apoiado por outros protestos em todo o país. Na sexta-feira (13/01), ativistas mascarados incendiaram contêineres e pintaram slogans nos escritórios do partido alemão Verdes, em Berlim – que eles acusam de “traição” por aceitarem o projeto defendido pelo governo.