Sexta-feira, 3 de abril de 2026
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O governador do estado norte-americano de Novo México apareceu de surpresa em Havana nesta segunda-feira. Oficialmente, segundo comunicado de seu gabinete, Bill Richardson viajou a Cuba para promover a venda de produtos agrícolas e intercâmbio cultural com a ilha.

No entanto, há detalhes que fazem suspeitar que a viagem seria mais um caso de diplomacia discreta, da qual Richardson é especialista, com missões em locais de conflitos, como a Coreia do Norte.

Segundo apurou o Opera Mundi junto a fontes cubano-americanas, antes de partir para Cuba, o governador democrata se reuniu com membros do exílio cubano, cuja atividade nada têm nada a ver com a venda de alimentos ou intercâmbios culturais.

Uma das fontes, que pediu para não ser identificada, afirma que Richardson teve uma reunião em Miami com um importante membro do Partido Republicano e vários dirigentes do exílio moderado e tradicional cubano. “Não vamos dar mais detalhes para não complicar as coisas”, disse o entrevistado.

Por outro lado, a viagem para Havana a fim de promover exportações agrícolas, algo autorizado pelo Congresso, foi mantida em segredo até o último minuto – sendo que, normalmente, os governadores costumam anunciar com semanas de antecipação este tipo de missão para fomentar negócios.

“Isto é, no mínimo, intrigante”, comentou ao Opera Mundi Phil Peters, vice-presidente do Lexington Institute e ex-funcionário do Departamento de Estado, quando ele próprio era protagonista de iniciativas diplomáticas discretas em Havana.

Oficialmente, Richardson ficará cinco dias em Havana, período pouco usual em viagens de governadores, motivo pelo qual Peters suspeita que, na verdade, a jornada possa ter outros objetivos.

“A realidade é que em cinco dias sobra tempo para promover a agricultura do Novo México, conversar sobre intercâmbios culturais e, também, falar com funcionários do governo [cubano]”, aponta Peters.

Autorização



Nem a Casa Branca e nem o Departamento de Estado quiseram comentar sobre a viagem de Richardson ou, ainda, se ele agiu a mando ou com conhecimento do presidente norte-americano, Barack Obama.

De qualquer modo, Peters acredita que Richardson não precisa de autorização presidencial para iniciar um diálogo com funcionários cubanos, já que fez o mesmo na semana passada, quando se reuniu em Nova York com diplomatas da Coreia do Norte.

E a iniciativa já deu resultados. Nesta terça-feira, o governo de Kim Jong Il convidou o enviado especial da Casa Branca para a Coreia do Norte, Stephen Bosworth, para visitar Pyongyang, a fim de conversar sobre o desarmamento nuclear.

Esta é a quarta vez que se tem notícias de encontros do governador do Novo México com diplomatas norte-coreanos, incluindo a visita que fez a Pyongyang durante a administração do ex-presidente Bill Clinton, em 1994.

Reuniões



Nesta terça-feira, na capital cubana, Richardson se reuniu com Pedro Alvarez, presidente da Câmara de Comércio Cubana e coordenador de todas as compras vindas dos Estados Unidos – também considerado o mais importante vendedor de alimentos à ilha.

Segundo a revista Opciones, semanário cubano de negócios, desde 2001 Cuba já comprou algo em torno de 4,4 bilhões de dólares em alimentos dos Estados Unidos.

Em uma conversa informal com a Associated Press, o governador do Novo México disse que deixaria os comentários sobre a visita “para outro dia”. No entanto, revelou que estão previstas reuniões com o presidente do Parlamento, Ricardo Alarcón, e o ministro do Exterior, Bruno Rodríguez Parrilla.

É a terceira vez que o governador do Novo México visita Cuba. Em 1996, esteve com o ex-presidente Fidel Castro e regressou a Washington com três ex-presos políticos cubanos.

Mas a visita desta semana tem um significado particular, porque acontece dias depois que uma delegação de bispos católicos norte-americanos estiveram em Havana, onde pediram abertamente a Washington o fim do embargo econômico à ilha.

Richardson foi um dos candidatos democratas à presidência no ano passado. Durante a campanha disse que era favorável à manutenção do embargo, porém, durante um debate televisivo dirigido ao eleitorado hispânico, ele afirmou que os Estados Unidos deveriam “rever” a medida.

Em abril, cumprindo uma promessa eleitoral, Obama retirou todas as restrições de viagem à ilha e o envio de remessas de valor a familiares, que a administração de George W. Bush tinha imposto aos cubano-americanos.

Viagem de governador norte-americano a Cuba pode ter fins diplomáticos

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