Venezuela investiga acusação de que Colômbia pretendia assassinar Chávez
Venezuela investiga acusação de que Colômbia pretendia assassinar Chávez
O Ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Nicolas Maduro, disse nesta semana que Caracas vai investigar as acusações de que a Agência de Inteligência da Colômbia conspirou junto a figuras da oposição venezuelana para assassinar o presidente Hugo Chávez.
Maduro afirmou que o governo venezuelano está à procura de explicações de Bogotá depois que o ex-chefe de Tecnologia da Informação do DAS (Departamento Administrativo de Segurança), Rafael Garcia, disse que o organismo usou ligações com grupos paramilitares colombianos, tais como Bloque Norte e AUC, para participar de uma ação contra o governo venezuelano.
Garcia disse ao canal de tevê colombiano Noticias Uno que “tudo foi iniciativa do setor de oposição venezuelano, mas com toda colaboração de Fernando Londoño, de Jorge Noguera e de grupos de autodefesa da Colômbia”.
Ele acrescentou: “Pensavam em assassinar pessoas importantes para causar ansiedade na sociedade venezuelana, entre elas [o presidente] Hugo Chávez, [o ex-vice-presidente] Jose Vicente Rangel, [o ex-ministro] Jessie Chacon e [o promotor geral] Isaias Rodriguez”.
Na semana passada, a Assembleia Nacional anunciou que iria investigar a presença de grupos paramilitares na Venezuela e sua possível intenção de desestabilizar o governo venezuelano.
Nicolas Maduro disse esperar que o governo colombiano investigue as acusações. “Dado que está em jogo a possibilidade de que o DAS tenha planejado um homicídio contra o presidente da República, o processo de desestabilização dentro da Venezuela, e considerando que foram ameaças contra nosso país, gostaríamos que, na Colômbia, se desse um tratamento responsável a estas denúncias, porque o DAS é um organismo policial vinculado diretamente à presidência da Colômbia“, afirmou.
O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, encontra-se no meio de um escândalo com crescentes evidências de que o DAS fez operações de espionagens ilegais em políticos de oposição, jornalistas e ativistas dos direitos humanos.
Jorge Noguera, ex-diretor do DAS, é acusado de articular o assassinato de três ativistas sindicais e um famoso sociólogo. Garcia, que trabalhou para Noguera e foi preso em 2005 por aceitar subornos para trocar arquivos de paramilitares e narcotraficantes, fez alegações no passado que dizem respeito a atividades ilegais do DAS.
“Garcia tem um histórico incerto, mas ao mesmo tempo seria terrivelmente chocante imaginar que a Colômbia estava tentando assassinar o líder de um país vizinho”, disse Adam Isacson, diretor de Programas do Centro de Política Internacional, em Washington.
Uribe: é vingança
O presidente Uribe mencionou a versão sobre supostas interceptações ilegais a delegações diplomáticas e afirmou que o ex-chefe de informática do DAS pediu dinheiro a um governo estrangeiro em troca de provas de uma possível manobra que a Colômbia estaria preparando contra outro país.
“Vamos tendo uma série de indícios que nos mostra que existe uma espécie de vingança criminal contra o governo”, afirmou Uribe em entrevista ao jornal El Tiempo. Nesta semana, ele anunciou que vai fechar o DAS.
A relação entre os dois países tem sido tensa nos últimos meses. A Colômbia acusou a Venezuela de vender lançadores de foguetes anti-tanques para as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Caracas respondeu criticando Bogotá pelo acordo das bases militares com os Estados Unidos. Em julho, Chávez congelou as relações comerciais.
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Riordan Roett, diretor do Programa de Estudos da América Latina da Universidade Johns Hopkins, em Washington, disse que as últimas alegações são parte de uma campanha na qual os dois países estão trocando acusações para que o outro perca a credibilidade. “Esse ping pong é muito viciante e muito perigoso”, concluiu.
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