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O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, assinou nessa terça-feira (5/10) decreto de expropriação da transnacional Agroisleña, uma das maiores fornecedoras de insumos e equipamentos agrícolas do país. Chávez justificou a decisão dizendo que a empresa praticava monopólio, proibido pela Constituição venezuelana e especulava preços. De origem espanhola, a Agroisleña possuía oito depósitos e 64 filiais para a comercialização de 84 produtos agrícolas em toda a Venezuela.

Nos últimos anos, o governo venezuelano expropriou mais de 2,5 milhões de hectares de terras consideradas latifúndios e dezenas de empresas acusadas de especular e fazer monopólio. “Vamos acelerar a reforma agrária, que não reste um só latifúndio nesse país”, disse o presidente após a expropriação.

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“A Agroisleña era um verdadeiro oligopólio, que vinha obstaculizando o desenvolvimento agrícola do país”, afirmou Chávez. O presidente relatou que a transnacional comprava fertilizantes da Petroquímica Venezolana S.A. (Pequiven) por cerca de 14, 4 bolívares (3,35 dólares) por saco, insumo depois revendido por 75 bolívares (17,46 dólares) ao mercado. “Eles (Agroisleña) vendiam o mesmo saco comprado na Pequiven por um preço 500% maior. Isso se chama especulação. O preço justo seria de 22 bolívares (5,12 dólares)”, disse.

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Segundo o governo venezuelano, além do problema do monopólio, foi registrada a venda indiscriminada de fertilizantes tóxicos para o meio ambiente. Em relação à expropriação do grupo, Chávez garantiu que nenhum dos mais de 2,5 mil trabalhadores será despedido: “pelo contrário, as condições de trabalho serão melhoradas”. O presidente afirmou também que os donos da empresa expropriada receberão os valores referentes às instalações e bens. “Faremos uma avaliação e pagaremos o que realmente devemos”.

Reação

José Manuel González, deputado eleito pelo estado de Guárico nas últimas eleições parlamentares e ex-presidente da Fedeagro (Confederação Nacional de Associações de P|rodutos Agropecuários), considerou a decisão do governo um erro e disse que a “política de expropriações do governo não está dando resultados, já que a superfície cultivada no país caiu por volta de 22% em 2010. A produção agrícola foi reduzida e as importações, aumentadas”.

É comum os dados do governo serem diferentes do setor privado. Segundo o Ministério de Agricultura e Terras, entre 1998 e 2008, houve aumento de 94% na produção nacional de arroz, de 205% no milho, 13% na cana-de-açúcar, 8% no café, 33% no leite de vaca, 26% na carne bovina, 77% na carne suína, 82% na carne de frango e 60% na produção de ovos. No mesmo período, a superfície total da colheita aumentou 45% e foi obtida a auto-suficiência de arroz, milho, café e carne de porco. 

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Em comunicado, a Agroisleña rechaçou a expropriação e pediu a Chávez que a reconsidere, pois as acusações de monopólio e  manipulação de preços “são insuficientes e possivelmente distorcidas”. Segundo números do setor, a Agroisleña é responsável por mais de 60% dos insumos produtivos do setor agrícola.

“A Agroisleña é um baluarte da agricultura venezuelana. Esta medida trará consequências brutais: é por nas mãos ineficazes do estado a agricultura do país”, afirmou à agência France Press Germán Briceño, presidente do Instituto de Políticas Agrícolas da Fedeagro.

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Venezuela expropria transnacional agrícola por suspeita de monopólio e especulação de preços

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