Valorização do sul da Colômbia aumenta violência contra nativos
Valorização do sul da Colômbia aumenta violência contra nativos
“Especial perigo de deslocamento forçado correm as comunidades –predominantemente indígenas, afrodescendentes ou camponesas – de zonas designadas para grandes projetos econômicos”, diz o relatório da Anistia Internacional. O prognóstico parece se encaixar perfeitamente no caso da terra Awá, no sul da Colômbia.
Além da localização geográfica privilegiada, a região é rica em recursos naturais: minerais e hidrográficos. Não à toa, boa parte do eixo andino da Iniciativa para a Integração da Infra-Estrutura Regional Sul-Americana (IIRSA) vai passar por ali. A rodovia Pasto-Tumaco, por exemplo, será ampliada para integrar o corredor de transporte intermodal Tumaco-Puerto Assis-Belém do Pará, que vai ligar os portos do Pacífico colombiano ao Atlântico através do território brasileiro, passando por hidrovias nos rios Putumayo (Colômbia) e Amazonas.
A rodovia será integrada com os principais eixos rodoviários colombianos, desde a Venezuela até o Equador. O porto de Tumaco também será ampliado. O projeto, financiado pelo BID e pelo governo colombiano, ainda está em fase de estudos, mas deve ser concluído até o fim de 2016. As organizações indígenas afirmam não ter sido consultadas.
Segundo o economista Héctor Mondragón, especialista em questões indígenas, a atual violência no território segue um roteiro já observado em outras partes do país. Quando a terra passa a ser valorizada, a população sofre mais com a violência dos atores armados. “Por exemplo, nas zonas petroleiras, a população local foi expulsa primeiro pela guerra e depois chegaram as multinacionais”.
Segundo ele, uma prova clara de que há um interesse grande do governo na região foi o Estatuto de Desenvolvimento Rural proposto em 2007 e anulado pela Corte Constitucional em março desde ano. O estatuto proibia que novas reservas indígenas fossem reconhecidas na costa pacífica. O plano atingia parte do território Awá que ainda está em processo de demarcação.
“É claro que há interesses na região. E o resultado claro do conflito é que os índios acabam sendo expulsos, e a terra fica vazia. A mesma terra que vai valer muito dinheiro quando essa estrada existir”, diz Hector Mondragón. “Imagine que alguém possa viajar do Brasil a Tumaco. Essas terras vão valer milhões”.
Terra indígena Awá
*Texto e foto.
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