Sábado, 4 de abril de 2026
APOIE
Menu

“Especial perigo de deslocamento forçado correm as comunidades –predominantemente indígenas, afrodescendentes ou camponesas – de zonas designadas para grandes projetos econômicos”, diz o relatório da Anistia Internacional. O prognóstico parece se encaixar perfeitamente no caso da terra Awá, no sul da Colômbia.

Além da localização geográfica privilegiada, a região é rica em recursos naturais: minerais e hidrográficos. Não à toa, boa parte do eixo andino da Iniciativa para a Integração da Infra-Estrutura Regional Sul-Americana (IIRSA) vai passar por ali. A rodovia Pasto-Tumaco, por exemplo, será ampliada para integrar o corredor de transporte intermodal Tumaco-Puerto Assis-Belém do Pará, que vai ligar os portos do Pacífico colombiano ao Atlântico através do território brasileiro, passando por hidrovias nos rios Putumayo (Colômbia) e Amazonas.

A rodovia será integrada com os principais eixos rodoviários colombianos, desde a Venezuela até o Equador. O porto de Tumaco também será ampliado. O projeto, financiado pelo BID e pelo governo colombiano, ainda está em fase de estudos, mas deve ser concluído até o fim de 2016. As organizações indígenas afirmam não ter sido consultadas. 

Segundo o economista Héctor Mondragón, especialista em questões indígenas, a atual violência no território segue um roteiro já observado em outras partes do país. Quando a terra passa a ser valorizada, a população sofre mais com a violência dos atores armados. “Por exemplo, nas zonas petroleiras, a população local foi expulsa primeiro pela guerra e depois chegaram as multinacionais”.

Segundo ele, uma prova clara de que há um interesse grande do governo na região foi o Estatuto de Desenvolvimento Rural proposto em 2007 e anulado pela Corte Constitucional em março desde ano. O estatuto proibia que novas reservas indígenas fossem reconhecidas na costa pacífica. O plano atingia parte do território Awá que ainda está em processo de demarcação.

“É claro que há interesses na região. E o resultado claro do conflito é que os índios acabam sendo expulsos, e a terra fica vazia. A mesma terra que vai valer muito dinheiro quando essa estrada existir”, diz Hector Mondragón. “Imagine que alguém possa viajar do Brasil a Tumaco. Essas terras vão valer milhões”.



Terra indígena Awá

*Texto e foto.

Valorização do sul da Colômbia aumenta violência contra nativos

NULL

NULL

NULL