Terça-feira, 7 de abril de 2026
APOIE
Menu

A América do Sul retoma neste domingo (25), com as eleições uruguaias, uma sequência de processos eleitorais que pode tanto ratificar a predominância de governos de esquerda, com plataformas progressistas, quanto trazer de volta ao poder políticos mais à direita, com planos de governo conservadores e liberais, como predominava antes das vitórias de Hugo Chávez, Luiz Inácio Lula da Silva, Evo Morales, Tabaré Vázquez, Rafael Correa, Fernando Lugo e o casal Kirchner.

No Uruguai, os candidatos que têm mais intenção de voto neste domingo são o ex-líder da guerrilha Tupamaros, Pepe Mujica, pela coalizão governista Frente Ampla; o ex-presidente liberal Luis Lacalle, do Partido Nacional (centro-direita); e Pedro Bordaberry, do Partido Colorado (direita), filho do ex-ditador Juan Bordaberry. De acordo com as pesquisas eleitorais, Mujica vem mantendo a preferência; mas, ainda assim, as últimas enquetes apontam que ele tem 46% das intenções de voto, número insuficiente para a vitória no primeiro turno.

Desde o início da campanha, há um ano, Mujica se distanciou de outros presidentes da região, como o venezuelano Hugo Chávez. Por ser um ex-guerrilheiro, a oposição tentou por várias vezes colocá-lo no que considera “eixo do mal” sul-americano, onde estariam países como Bolívia, Equador e Venezuela.

Os opositor Luis Lacalle tem 34% de intenção de voto e Bordaberry registra 12% de apoio popular.

O atual presidente, Tabaré Vázquez, foi o primeiro de esquerda eleito no Uruguai. No final do mandato, ele possui mais de 60% de aprovação popular, com um balanço favorável nas áreas econômica, social e militar. O índice de pobreza no país caiu de 26% em 2007 a 20,5% em 2008, enquanto a indigência passou de 2% a 1,5%, segundo o Instituto Nacional de Estatística.

A Bolívia é o próximo país a realizar as eleições, marcadas para o dia 6 de dezembro, quando o presidente Evo Morales concorrerá ao segundo mandato. A campanha eleitoral foi lançada oficialmente no dia 5 de outubro.

De acordo com as últimas pesquisas de opinião, Morales tem entre 47% e 54% das intenções de voto, cerca de 30 pontos percentuais a mais que os principais adversários, Manfred Reyes Villa (direita) e Samuel Doria Medina (centro-direita). Como o sistema eleitoral na Bolívia aplica maioria simples para eleição presidencial, Morales pode ser reeleito com qualquer vantagem sobre os adversários.

Nas pesquisas, os melhores resultados de Evo Morales são obtidos em La Paz (73%), Potosí (69%) e Cochabamba (60%) e os piores, em Santa Cruz (25%) e Beni (21%).

Na avaliação de Luis Fernando Ayerbe, historiador e professor do Programa San Tiago Dantas de Relações Internacionais (da Unesp), como a oposição está divida, é pouco provável que seja vitoriosa, ou que um novo rumo fosse tomado. Como a Constituição, um dos pontos polêmicos já foi aprovada, o que aconteceria é uma nova “gestão mais moderada”.

As eleições presidenciais no Chile ocorrem cinco dias depois da Bolívia, em 11 de dezembro. O magnata Sebastián Piñera, líder da direita, e Marco Enríquez-Ominami, que lançou candidatura independente, são os principais adversários do candidato da Concertação (coalizão de centro-esquerda), o ex-presidente Eduardo Frei (1994-2000).

Ominami, que ocupava o terceiro lugar na preferência dos eleitores, cresceu nas pesquisas e agora está empatado com Frei. Os dois teriam 20% dos votos, enquanto Piñera teria 41%.A sondagem foi realizada pelo jornal El Mercurio e a empresa Opina e foi divulgada no último dia 20.

A Colômbia realizará a votação em maio de 2010, e as candidaturas ainda não foram lançadas oficialmente. O atual presidente, Álvaro Uribe, ainda não sabe se poderá concorrer mais uma vez. Os parlamentares aprovaram um projeto de lei que convoca um referendo sobre o terceiro mandato de Uribe, no poder desde 2002. Caso o resultado da consulta seja favorável a ele, uma mudança na Constituição será feita para permitir que ele se reeleja pela segunda vez seguida. O presidente conta atualmente um alto índice de popularidade, que beira os 70%.

O projeto ainda deverá passar por uma última análise do Congresso e depois ser ratificado pela Corte Constitucional. A próxima etapa será convocar o referendo para os próximos meses. Os principais partidos da oposição, Liberal e Pólo Democrático Alternativo, prometeram fazer uma campanha para boicotar o referendo.

O ex-ministro da Defesa, Juan Manuel Santos – que deixou o cargo em maio –, afirmou que só sairá candidato nas eleições presidenciais de 2010 se Uribe decidir não tentar uma nova reeleição. A mesma posição foi adotada pelo ex-ministro da Agricultura, Andrés Felipe Arias, afastado do cargo desde fevereiro. Apesar de Arias dizer que buscará representar o Partido Conservador, ele enfatizou que não enfrentará Uribe, caso avance o projeto de referendo.

Apesar da convocação do referendo, Uribe não tem falado sobre a possibilidade de permanecer no poder, alegando que o mais importante é insistir no “processo de pacificação do país iniciado em seu governo”. A oposição, porém, chama a atenção para as denúncias de violações dos direitos humanos, que teriam se intensificado durante a gestão do político, quando os militares ampliaram o combate às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

No Brasil, as campanhas não começaram oficialmente, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva descarta a hipótese de um terceiro mandato e defende a candidatura da atual ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Um dos pré-candidatos à presidência já definidos é a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que deixou o PT para se filiar ao PV (Partido Verde). O PSDB ainda decide quem será seu candidato: o governador de São Paulo, José Serra, ou o de Minas Gerais, Aécio Neves. As eleições acontecerão em outubro de 2010.

Impedido de concorrer a uma reeleição em 2011, o presidente do Peru, Alan García, já afirmou que almeja terminar o mandato de cinco anos com uma boa popularidade para tentar obter um terceiro governo nas eleições de 2016. Ele já governou o país no período entre 1985 e 1990. García também declarou que trabalhará para evitar que a população vote por um candidato que seja contra o “atual modelo econômico”.

O ex-primeiro-ministro peruano Yehude Simon, que renunciou ao cargo em julho, afirmou que trabalhará pela criação de uma frente com políticos independentes e organizações regionais para as próximas eleições.

Um dos candidatos oposicionista é o nacionalista Ollanta Humala, um ex-militar que tem o apoio de sindicatos, grupos de esquerda e organizações de indígenas que são contra a política econômica de livre-mercado defendida por García. Humala já foi candidato em 2006 e perdeu no segundo turno para o atual presidente.

Em abril de 2011, os peruanos também terão na cédula a congressista Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), e o prefeito de Lima, Luis Catañeda.

Apesar de existirem chances entre candidatos de esquerda e de direita, de modo geral as candidaturas não são antagônicas, disse Ayerbe.

A longa jornada eleitoral sul-americana se encerra na Argentina, em dezembro de 2011. Segundo Ayerbe, apesar da baixa popularidade que a presidente Cristina Kirchner enfrentou neste ano e das eleições legislativas que aconteceram em junho deste ano, “o panorama ainda não está definido”.

Em abril deste ano, o Equador já realizou eleições presidenciais, resultando em um segundo mandato para o presidente Rafael Correa.

Uruguai desata ciclo eleitoral 2009-2011 na América do Sul

NULL

NULL

NULL