Segunda-feira, 30 de março de 2026
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Os grandes murais da história do México estão sendo restaurados. O conjunto arquitetônico de grande valor histórico e cultural para os mexicanos é obra de um dos maiores pintores do país, Diego Rivera, e fica no Palácio Nacional, na capital mexicana.

“É uma visão do México anterior e o atual, mas principalmente é uma visão histórica de fatos e eventos de movimentos sociais, e, sobretudo, a presença do ser humano alcançando a meta que é a liberdade do trabalho”, disse o restaurador responsável, Alejandro Morfín, ao jornal mexicano Milenio.

Em 274 metros quadrados de murais nos arcos localizados no segundo piso da sede do Executivo, as peças retratam o bicentenário da Independência do país. A grandiosa obra foi feita entre 1929 e 1951 por Rivera, consagrado por sua obra de mais de dois mil quadros e gigantescos murais que monstravam a vida e o trabalho do povo mexicano, os heróis, a terra, as lutas.

O investimento na reforma foi de 1.206.605 pesos (170.848 reais), do Programa de Investimento de Manutenção Governamental, do governo federal, e conta com uma equipe de 11 artistas.

O maravilhoso mural

Atualmente, os artistas trabalham na preservação do mural “O Mercado de Tlatelolco”, obra que requereu uma grande pesquisa.

Em entrevista ao jornal Milenio, Guadalupe Rivera, filha do artista, chama o trabalho de o “maravilhoso mural”, pois simboliza tudo o que era a cultura mexicana. Ele passou um ano percorrendo a Cidade do México para identificar e calcular a localização de cada edifício, baseada na descrição de Fray Bernardino de Sahagún.

“Meu pai colocou um interesse tremendo, fez com grande amor, reproduziu todos os produtos que eram vendidos no mercado e os vendedores. Mostra, inclusive, a crueldade do guerreiro, que oferece um braço a uma dama, para conquistá-la”, lembrou Guadalupe Rivera.

Morfín, explica que a tela perdeu muitas cores porque o pintor teve  problemas técnicos com os tons ocres. Além disso, a parte superior da peça teve infiltrações por conta de um descuido na reforma do andar superior do Palácio Nacional.

Há diferenças entre os murais. Aqueles que estão na região da escala foram pintados diretamente na parede e, por isso, têm maiores danos. As peças acumularam pó e tiveram rachaduras causadas pelos abalos sísmicos.

Outras restaurações

Os murais pintados por Diego Rivera no Palácio Nacional tiveram ao menos três intervenções num período de duas décadas. Em 2000, a obra teve que ser alterada porque foram realizadas reformas no local que afetaram o mural “O mundo de hoje e amanhã”, onde está retratada Frida Kahlo e Karl Marx.

Atualmente, em 2009, toda a obra do Palácio Nacional está sendo restaurada: “A história do México”, de 142.29 metros quadrados; “Mundo de hoje e amanhã”, “México pré-hispânico e colonial” e também “O desembarco dos espanhóis em Veracruz”.

O processo

Primeiro, é feito um mapa com os danos dos murais e, nessa etapa, começa o processo de limpeza. Depois, são feitas provas de cores para ver a estabilidade, seguidas por uma intervenção química e, se necessário, faz-se a fixação da pintura.

O passo seguinte é a reintegração cromática com aquarela, respeitando os aspectos regionais. As obras mais prejudicadas são as que levam mais tempo.

A intervenção deve ser evidente para que seja diferenciada da pintura original. Até agora, o processo, que começou no dia 1º de junho e termina em setembro, já restaurou 10 de 11 murais do corredor. 

Um dos maiores conjuntos arquitetônicos da história do México passa por restauração

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