Quarta-feira, 20 de maio de 2026
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Um ano depois do pior terremoto das últimas cinco décadas, o Chile ainda lamenta os 600 mortos e 200 mil desabrigados, além da perda de prédios públicos e privados que foram levados ao chão. No total, serão investidos cerca de 7,4 bilhões de dólares para a reconstrução de casas, hospitais e escolas. Hoje, no país, poucos são os sinais do que ocorreu no dia 27 de fevereiro de 2010, quando, por volta das 4h, o Centro-Sul do Chile foi atingido por tremores de até 8,8 graus na escala Richter e sua costa foi afetada por um tsunami.

Emocionado ao lembrar desse dia marcante na história do país, o embaixador do Chile no Brasil, Jorge Montero, afirmou que o povo chileno vive o lema de “levantar os ombros e seguir adiante”. O diplomata disse que “as adversidades” fazem parte do cotidiano dos chilenos, que aprendem a driblá-las com solidariedade e união, como o que ocorreu também com os mineiros soterrados a 700 metros de profundidade, no Deserto de Atacama, no ano passado.

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“Em segundos, você vive a sensação de morte e pensa realmente que vai morrer. Mas tantas tragédias produzem no Chile o espírito de solidariedade e união”, sintetizou o embaixador ao referir-se sobre a sensação de quem vive momentos como o de um terremoto e também sobre a apreensão dos mineiros soterrados. “O chileno tem esta fortaleza.” A seguir, os principais trechos da entrevista de Montero à Agência Brasil.

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Um ano depois do terremoto, é possível tirar alguma lição da tragédia?

Sim, é. O chileno está acostumado a viver adversidades, temos períodos de seca extrema, de chuva intensa e assim por diante. Os terremotos são constantes. Eu mesmo vivi três muito fortes, mas este de fevereiro do ano passado foi o pior. Em segundos, você vive a sensação de morte e pensa realmente que vai morrer. Mas tantas tragédias produzem no Chile o espírito de solidariedade e união. O chileno tem esta fortaleza. Também contamos muito com a solidariedade dos países vizinhos, como o Brasil.

Apesar desta “experiência” com terremotos, já que o país está numa região geográfica que favorece esses acontecimentos, o Chile ainda luta pela reconstrução do que foi devastado.

É verdade. Cerca de 50% do país foram duramente afetados não só pelos tremores de terra, mas também pelo tsunami, principalmente as áreas rurais sofreram demais. Houve 600 mortos, 200 mil perderam casas e as crianças ficaram um período sem aula. Mas o chileno vive o lema de levantar os ombros e seguir adiante. É o que estamos fazendo. A nossa engenharia se aperfeiçoou a tal ponto que as construções no Chile são feitas para resistir a tremores até um determinado nível de magnitude.

Na época do terremoto e do tsunami, houve informações de falhas no serviço de alerta. Depois isso se comprovou. Pode ocorrer novamente?

Lamentavelmente alguns alarmes falharam. Os esforços depois do ano passado são para evitar que novas falhas ocorram. Tudo é muito grave, os tremores de terra e o tsunami, mas entre um e outro, o segundo é assustador. Não é possível prever o tamanho das ondas nem a intensidade que atingirão. É tudo muito rápido e infelizmente muitas pessoas se recusam a deixar suas casas e querem permanecer em lugares arriscados, isso tudo é mais complexo.

ABr – Seis meses depois do terremoto, o Chile enfrentou o drama dos 33 trabalhadores que ficaram soterrados, a 700 metros de profundidade, na Mina San José. Como lidar com tantas tragédias?

É a nossa história. O Chile é um país mineiro por excelência [mais da metade de exportações do país se refere à exploração de minérios]. O que ocorreu com os mineiros acendeu a luz de alerta do governo para aumentar o rigor na fiscalização das empresas, principalmente as menores, que costumavam desobedecer as normas. Mas são mudanças lentas que dependem do Parlamento e de muita discussão. De toda maneira, a Mina San José está fechada. Por sorte, o final da história dos mineiros acabou bem. Mas não tínhamos segurança sobre o que ocorreria. Pedimos ajuda à Nasa [Agência Espacial Americana], ao Canadá, ao México e a especialistas europeus, entre outros.

O governo do presidente do Chile, Sebastián Piñera, dá assistência aos mineiros?

Há uma preocupação para que eles mantenham a qualidade de vida e não estão abandonados. Alguns pretendem voltar a trabalhar em minas, outros assumiram-se como estrelas e viajam pelo mundo, como agora esta semana que estiveram em Israel. Há planos para fazer um filme e um livro sobre a história dos 33 mineiros que ficaram [67 dias] soterrados.

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Um ano depois, Chile  ainda sente consequências do pior terremoto de sua história

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