Último mineiro resgatado é filho de desaparecido em ditadura de Pinochet
Último mineiro resgatado é filho de desaparecido em ditadura de Pinochet
O mineiro Luis Urzúa, 54 anos, líder do grupo dos 33 soterrados na mina no Chile, é filho de um militante do Partido Comunista chileno assassinado durante a ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990), segundo o jornal espanhol El Mundo. Seu padrasto, Benito Tapia, pertencia ao Partido Socialista e também foi assassinado no período, diz o veículo. O mineiro será o último a ser resgatado da mina de San José.
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A família de Urzúa foi a mais reservada nas declarações para os jornalistas e tem evitado a exposição na imprensa durante os mais de dois meses de espera pelo resgate. Mineiro há 31 anos, ele foi escolhido pelas autoridades chilenas e pela NASA (agência espacial dos EUA) para liderar os 32 colegas, devido à sua capacidade de disciplina.
Segundo o jornal espanhol, a característica pode ser explicada pela responsabilidade que assumiu desde criança: após a morte do pai, ajudava a mãe na criação dos seis irmãos e assumiu o papel de “homem da casa”, como relata a mãe, Nelly Iribarren.
Efe

Luis Urzúa após ser resgatado
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O mineiro herdou o nome do pai, Luis Urzúa, que desapareceu nos primeiros anos da ditadura chilena. Segundo o El Mundo, o segundo marido de Nelly e padrasto de Luis, Benito Tapia, também viveu uma história dramática. Aos 32 anos, era funcionário da Cobresal, dirigente nacional da Confederação de Trabalhadores do Cobre e membro do Comitê Central das Juventudes Socialistas. No dia 17 de setembro de 1973, foi preso e levado para o presídio de Copiapó, maior cidade da região da mina de San José. De lá, foi levado para a “Caravana da Morte”, como ficou conhecido no Chile um plano sistemático dos militares para o extermínio de pelo menos 72 presos políticos, percorrendo cidades do sul ao norte do país.
Fuzilamento
Ao lado de Urzúa pai, foram fuzilados o gerente-geral da Cobresal, Ricardo Díaz Posada, e o dirigente sindical Maguindo Castillo Andrade. Segundo El Mundo, o prefeito de Copiapó, Maglio Cicardini, e um primo do mineiro, Sergio Iribarren, confirmam as informações. Jaime Tapia, irmão do padrasto de Urzúa está no acampamento Esperanza, onde os parentes das vítimas esperam os últimos resgates.
No entanto, Tapia afirmou que não pode contar mais nada sobre o fato de seu irmão ter sido assassinado durante a ditadura ou não.
“As coisas serão conhecidas à medida que o tempo passar, depois que eles saírem”, disse ao jornal.
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