Domingo, 26 de abril de 2026
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Após uma sessão caótica e violenta, a Rada – parlamento da Ucrânia – aprovou o acordo sobre a permanência da frota russa no porto ucraniano de Sevastopol, no Mar Negro, até 2042. O acordo foi assinado na semana passada pelos presidentes da Ucrânia, Viktor Yanukovitch, e da Rússia, Dmitri Medvedev, e aguardava a ratificação dos parlamentos dos dois países.
Desde cedo, milhares de manifestantes protestavam contra a medida na entrada do Parlamento ucraniano, em Kiev. “É uma vergonha. Voltamos à época soviética e Moscou quer controlar o nosso país”, gritava a jovem Masha Kashuba, estudante de Direito. A líder da oposição e ex-primeira-ministra, Yulia Tymoshenko, também manifestou descontentamento. “Tenho certeza de que agora a sociedade e os grupos políticos vão se conscientizar de que temos que defender a Ucrânia. Sevastopol é o primeiro passo e logo tentarão conquistar a Crimeia”, declarou.

Aleksandr Kosarev/Efe



Após bate boca e lançamento de ovos, parlamentares ucranianos partiram para agressões físicas

Dentro da Rada, deputados da oposição estenderam uma gigantesca bandeira ucraniana, qualificando o acordo como um atentado à soberania do país. Acabaram derrotados. O acordo foi ratificado com 236 dos 450 votos.
Depois do anúncio do resultado, ovos foram jogados na direção do presidente do parlamento, Vladimir Litvin, e assessores tiveram de abrir guarda-chuvas para protegê-lo. Deputados do governo e da oposição trocaram socos e insultos. A confusão aumentou com o lançamento de três bombas dentro do Parlamento e muitos tiveram que abondonar a sala. O acordo também foi ratificado pela Duma, o parlamento russo, com 410 votos a favor e nenhum contra, numa sessão muito mais tranquila.
A medida é o sinal mais concreto de renovação da influência russa sobre a república ex-soviética desde que o novo presidente tomou posse em fevereiro. O porto de Sevastopol funciona como base naval russa no Mar Negro, mas também é visto por analistas como um importante ponto de influência do Kremlin na região. A recente aproximação de Kiev e Moscou preocupa países alinhados aos EUA e à União Europeia, como a Geórgia, que temem que a política do Leste Europeu seja outra vez ditada por Moscou.
Holodomor
Na terça-feira (20), Yanukovitch declarou no Conselho da Europa que o Holodomor – a grande fome da década de 1930 – não pode ser considerada um genocídio contra os ucranianos, já que não havia vítimas escolhidas. O argumento tinha sido recusado pelo presidente anterior, Viktor Yuschenko. A mudança de discurso marca a aproximação entre a Ucrânia e a Rússia.
No dia 9 de maio, pela primeira vez desde a independência há 19 anos, a Ucrânia se unirá ao desfile comemorativo pela vitória soviética sobre os alemães, na Segunda Guerra Mundial.
Em troca da permanência da frota russa no Mar Negro, a Ucrânia contará com um desconto de 30% na compra do gás natural da Rússia, representando uma economia estimada de 40 bilhões de dólares. A frota russa do Mar Negro inclui 50 navios de guerra, quase 100 aviões e 18.500 pessoas, entre militares, técnicos e familiares.

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Ucrânia consolida virada política e estreita relações com Rússia

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