Segunda-feira, 4 de maio de 2026
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Parlamentares tucanos ouvidos pelo Opera Mundi acreditam que a Colômbia precisa “se defender” da “ameaça” que as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) representam e que o presidente venezuelano Hugo Chávez deve “parar de fechar os olhos” para a presença de guerrilheiros em seu território. Para membros da oposição brasileira, o Brasil tem obrigação de agir para tentar solucionar o atual conflito diplomático entre Bogotá e Caracas.

Há uma semana, a Venezuela rompeu oficialmente os laços diplomáticos com a Colômbia, após o governo do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, acusar o país vizinho de dar “abrigo” às Farc. Um dos fatores que desencadearam a ruptura foi a denúncia formal feita na OEA pela Colômbia de que guerrilheiros teriam livre-trânsito no país vizinho, apresentando fotografias e “provas” que são contestadas pela Venezuela.

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Para o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), o governo brasileiro precisa buscar a pacificação na região e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve se posicionar diplomaticamente diante do conflito. “O presidente Lula sempre falou em diálogo para evitar o isolamento da Venezuela, como aconteceu com Cuba durante muito tempo. Então precisa usar essa justificativa para o bem agora, evitar um atrito que está aumentando”, afirmou.

“O presidente tem obrigação de agir diplomaticamente, de intervir para atingir a paz neste caso, que é um conflito em um país vizinho, não em casos distantes, como é o caso do Irã”, completou Azeredo, presidente da comissão de relações exteriores do senado.

A declaração do senador mineiro foi feita no dia em que o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, volta de uma viagem durante a qual se reuniu com autoridades de países como Turquia, Israel, Síria e Líbia para tratar da paz no Oriente Médio e do acordo para colocar fim à polêmica envolvendo o programa nuclear iraniano.

Para o deputado federal Emanuel Fernandes (PSDB-SP), presidente da comissão de relações exteriores da câmara, “o Brasil não só pode, como deve” se posicionar, porque “este é um momento de teste”.

“O Brasil é um país cada vez mais importante no cenário internacional. Vem tentando resolver conflitos no Oriente Médio, no Golfo Pérsico, e o desafio é resolver aqui na região. Será um desafio para o Brasil credenciar-se para dar passos maiores, que tem condições de dar”, afirmou Fernandes ao Opera Mundi.

Expectativa

Nesta quinta-feira (29/7), o Conselho de Chanceleres da Unasul (União de Nações Sul-Americanas) está reunido em Quito, capital do Equador, para analisar medidas para promover o diálogo e a paz entre os dois países vizinhos. A reunião foi um pedido de Chávez ao atual presidente da entidade, Rafael Correa, do Equador.

No dia 7 de agosto, o presidente eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, ex-ministro da Defesa do governo Uribe, tomará posse. Apesar de Santos ser aliado do atual presidente, a expectativa é de que a relação de Chávez com o futuro colega seja melhor.

“O diálogo só será eficaz com a troca dos presidentes”, lembrou o deputado. Emanuel Fernandes acredita que “falta pró-atividade do governo brasileiro para resolver um conflito que já dura cinco anos”.


Paciência

Na quarta-feira (28/7), o presidente Lula disse que “não há conflito” entre os vizinhos além do “verbal” e pediu “paciência e calma” até o início do governo Santos. Hoje, Uribe disse que “deplorava” essas observações.

Antes de a Venezuela anunciar a ruptura diplomática com a Colômbia na semana passada (22/7), Chávez e Santos haviam sinalizado a possibilidade de diálogo com a saída de Uribe, apesar de o seu sucessor ter sido eleito para substituí-lo no cargo.

A relação entre Bogotá e Caracas é frágil desde 2008, quando os dois países chegaram a retirar os respectivos embaixadores. Na época, a Venezuela decidiu romper com a Colômbia em apoio ao Equador porque o exército colombiano havia invadido o território equatoriano para matar o segundo principal comandante das Farc, Raúl Reyes.

No ano passado, Uribe e Chávez voltaram a trocar críticas quando o governo colombiano anunciou que receberia oito bases militares norte-americanas em seu território.

Fator ideológico

Tanto para Azeredo quanto para Fernandes, a diferença de alinhamento político entre os dois países é uma das questões chave do conflito diplomático, além da maneira como os governos lidam com as Farc.

Para o deputado, “o primeiro ponto do conflito é a questão ideológica” e “o Brasil precisa se despir um pouco da preferência ideológica dita à esquerda” para tentar mediar a crise.

“Temos algo concreto, que é a Colômbia se sentindo ameaçada, e devemos respeitá-la. O país está tentando garantir a democracia por meio do combate às Farc e a Venezuela tem feito vistas grossas para a incursão das Farc em seu território”, afirmou.

Falsidade

“É preciso convencer o presidente Chávez de que é necessário combater o terrorismo, de que as Farc não são um movimento político, mas terroristas. Ele até já reconheceu a presença de guerrilheiros em território venezuelano”, afirmou Azeredo, que acredita que “o governo colombiano tem tido sucesso no combate ao narcotráfico”.

Em meados de julho, o ministro da Defesa colombiano, Gabriel Silva (sucessor de Santos na pasta), afirmou que há “evidências da presença de líderes” das guerrilhas no território venezuelano, chegando a garantir que o governo colombiano tinha conhecimento do local exato onde estaria Iván Márquez, um dos comandantes da guerrilha.

Entretanto, o governo da Venezuela respondeu que “em diversas ocasiões, foi verificada e constatada a falsidade de tais informações. Em várias oportunidades, as coordenadas transmitidas correspondiam a lugares situados no próprio território colombiano”.

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