Tribunal abre precedente e diz que israelenses podem atirar no ar para conter palestinos
Tribunal abre precedente e diz que israelenses podem atirar no ar para conter palestinos
Um tribunal de Israel indicou em veredicto emitido no mês passado que israelenses que vivem em assentamentos podem atirar no ar para impedir a aproximação de palestinos desarmados, uma decisão que, segundo advogados palestinos, abre um perigoso precedente.
A juíza Hagit Kalmanovitch definiu que Abraham Hofi, residente no assentamento de Halamish, não era culpado por ameaçar e atirar contra três fazendeiros palestinos a partir da varanda da casa do pai, em 6 de maio de 2005. Segundo Hofi, o grupo ficou muito perto da cerca da propriedade, cerca de 100 metros.
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Os rapazes, dois menores de idade e um adulto, testemunharam que Hofi atirou contra eles, porém, a bala atingiu a cerca. Quando os palestinos permaneceram na área, Hofi e outros moradores do assentamento foram confrontá-los.
Kalmanovitch afirmou na sentença, expedida em fevereiro, que ela não acreditava que Hofi pretendia ferir os palestinos, acrescentando que a conduta do israelense mostrou que ele não temia por sua vida e não viu os palestinos como terroristas.
“Atirar para o alto, quando feito por um profissional treinado, é uma resposta proporcional e razoável, e não podemos definir que a ação foi agressiva ou negligente”, escreveu Kalmanovitch, segundo o jornal israelense Haaretz. “De que outra maneira poderia o acusado lidar com a situação? Deveria ter chamado as forças de segurança e esperado não sei quanto tempo para que aparecessem, se é que apareceriam?”.
A decisão afirma que os dois menores palestinos estavam arrancando mudas de plantas. Os três rapazes disseram que parte da terra é de posse deles e que os israelenses tentavam se apropriar delas, Hofi apresentou ao tribunal um documento em que dizia ter licença para trabalhar na terra.
Michael Sfard, conselheiro jurídico do Yesh Din, grupo que defende os direitos palestinos, disse que o veredicto da juíza Kalmanovitch abre um precedente perigoso. “Ele permite a civis usar armas em situações não-violentas, quando a conduta correta é a de chamar as autoridades”, afirmou.
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