Quinta-feira, 23 de abril de 2026
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Perambulando pelas ruas da cidade de Reynosa, em Tamaulipas, estado do nordeste do México que faz fronteira com os Estados Unidos, não é difícil encontrar homens carregando fuzis de assalto, sem que ninguém os incomode. As placas das caminhonetes deles têm as siglas CDG ou ZZZ – ou seja, Cartel do Golfo ou Los Zetas, as duas quadrilhas de traficantes antes aliadas e agora em guerra.

A cidade está nas mãos do tráfico de drogas. Está no meio de uma guerra entre facções que se enfrentam nas ruas diariamente, com tiroteios e outras formas de violência que já deixaram dezenas de mortos e ninguém parece conseguir deter.

Nos últimos meses, vêm ocorrendo mais de três tiroteios por semana na cidade, de 500 mil habitantes. Os moradores já não saem de casa à noite, com medo de serem atingidos. Quem pode sai da cidade – como a maioria dos empresários e políticos, que tem casas do outro lado da fronteira, em McAllen (Texas, EUA), e vai para lá a qualquer momento para evitar problemas. Estima-se que 80% dos diretores das empresas e fábricas de Reynosa vivam em McAllen por medo do tráfico.

Até o prefeito de Reynosa, Óscar Luebbert Gutiérrez, tem casa na cidade norte-americana. “Minha esposa já possuía uma residência lá antes de eu me tornar prefeito. Tenho casa aqui e minha esposa, lá”, explica ao Opera Mundi o político, membro do PRI (Partido Revolucionário Institucional). “Moro aqui, a duas quadras da prefeitura, bem no centro de Reynosa. Normalmente é onde durmo. Às vezes, fico com minha filha e meu neto, que moram em McAllen”.

Mas nem todos têm a sorte de poder cruzar a fronteira, e menos ainda de possuir uma casa nos Estados Unidos. Mesmo assim, à noite, o centro urbano mais populoso da região se transforma em uma cidade fantasma, atravessada apenas pelas caminhonetes das quadrilhas rivais. Muitos moradores que circulam de carro à noite deixam as luzes interiores acesas, para não serem confundidos com criminosos e alvejados.

Uma fonte próxima da polícia municipal revela que muitos agentes também se dividem de acordo com os grupos criminosos aos quais servem.

Consulado fechado

No dia 25 de fevereiro, o governo dos EUA decidiu fechar o escritório consular em Reynosa, no bairro de Rodríguez, para proteger seu pessoal da violência que tem atingido a cidade e a região nos últimos meses.

Mas o prefeito Óscar Lubbert garante que Reynosa não é violenta e que, se existe uma percepção oposta, é por causa da estratégia deficiente do governo federal no combate ao narcotráfico.

“É lamentável que as operações promovidas pelo governo federal resultem na percepção nacional e internacional de violência”, disse ele. “É doloroso que isto ocorra, pois são operações ordenadas pela própria autoridade. É preciso fazer uma revisão para conferir se as operações são eficazes, pois elas dão a impressão de uma escalada da violência”.

 

E, enquanto os representantes das instituições buscam se livrar da responsabilidade, Reynosa se transforma na cidade fantasma dos traficantes em guerra. 

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Tráfico deixa cidade mexicana na fronteira com os EUA abandonada ao crime

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