Tráfico deixa cidade mexicana na fronteira com os EUA abandonada ao crime
Tráfico deixa cidade mexicana na fronteira com os EUA abandonada ao crime
Perambulando pelas ruas da cidade de Reynosa, em Tamaulipas, estado do nordeste do México que faz fronteira com os Estados Unidos, não é difícil encontrar homens carregando fuzis de assalto, sem que ninguém os incomode. As placas das caminhonetes deles têm as siglas CDG ou ZZZ – ou seja, Cartel do Golfo ou Los Zetas, as duas quadrilhas de traficantes antes aliadas e agora em guerra.
A cidade está nas mãos do tráfico de drogas. Está no meio de uma guerra entre facções que se enfrentam nas ruas diariamente, com tiroteios e outras formas de violência que já deixaram dezenas de mortos e ninguém parece conseguir deter.
Nos últimos meses, vêm ocorrendo mais de três tiroteios por semana na cidade, de 500 mil habitantes. Os moradores já não saem de casa à noite, com medo de serem atingidos. Quem pode sai da cidade – como a maioria dos empresários e políticos, que tem casas do outro lado da fronteira, em McAllen (Texas, EUA), e vai para lá a qualquer momento para evitar problemas. Estima-se que 80% dos diretores das empresas e fábricas de Reynosa vivam em McAllen por medo do tráfico.
Até o prefeito de Reynosa, Óscar Luebbert Gutiérrez, tem casa na cidade norte-americana. “Minha esposa já possuía uma residência lá antes de eu me tornar prefeito. Tenho casa aqui e minha esposa, lá”, explica ao Opera Mundi o político, membro do PRI (Partido Revolucionário Institucional). “Moro aqui, a duas quadras da prefeitura, bem no centro de Reynosa. Normalmente é onde durmo. Às vezes, fico com minha filha e meu neto, que moram em McAllen”.
Mas nem todos têm a sorte de poder cruzar a fronteira, e menos ainda de possuir uma casa nos Estados Unidos. Mesmo assim, à noite, o centro urbano mais populoso da região se transforma em uma cidade fantasma, atravessada apenas pelas caminhonetes das quadrilhas rivais. Muitos moradores que circulam de carro à noite deixam as luzes interiores acesas, para não serem confundidos com criminosos e alvejados.
Uma fonte próxima da polícia municipal revela que muitos agentes também se dividem de acordo com os grupos criminosos aos quais servem.
Consulado fechado
No dia 25 de fevereiro, o governo dos EUA decidiu fechar o escritório consular em Reynosa, no bairro de Rodríguez, para proteger seu pessoal da violência que tem atingido a cidade e a região nos últimos meses.
Mas o prefeito Óscar Lubbert garante que Reynosa não é violenta e que, se existe uma percepção oposta, é por causa da estratégia deficiente do governo federal no combate ao narcotráfico.
“É lamentável que as operações promovidas pelo governo federal resultem na percepção nacional e internacional de violência”, disse ele. “É doloroso que isto ocorra, pois são operações ordenadas pela própria autoridade. É preciso fazer uma revisão para conferir se as operações são eficazes, pois elas dão a impressão de uma escalada da violência”.
E, enquanto os representantes das instituições buscam se livrar da responsabilidade, Reynosa se transforma na cidade fantasma dos traficantes em guerra.
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