Temendo apagão, governo do Chile reduz voltagem elétrica na capital
Temendo apagão, governo do Chile reduz voltagem elétrica na capital
O governo chileno pôs em marcha um decreto que obriga todos os aparelhos elétricos de 16 comunas da capital, Santiago, a funcionar com 198 volts, em vez de 220, a partir deste sábado (19/02). Para pôr o decreto em prática, a empresa privada que administra o serviço simplesmente reduzirá a voltagem enviada a domicílios, indústrias e programas de eletrificação rural.
Longe de ser uma medida isolada, a decisão austera do governo de Sebastián Piñera mostra que as recentes crises energéticas enfrentadas pelo Brasil, pelo Equador e pela Venezuela compõem um quadro complexo, diagnosticado por especialistas do setor como “insegurança ou nó energético sul-americano”.
A redução forçada da voltagem em Santiago – equivalente a 10% – deve durar até 31 de agosto, pouco depois do ápice do inverno, quando as temperaturas negativas obrigam a população a aumentar o consumo do gás que, além da cozinha, alimenta sistemas de calefação doméstica e de água.
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O Chile consome gás boliviano triangulado por uma rede de distribuição que, primeiro, passa pela Argentina, tomando um desvio de 4.500 quilômetros. Quando o inverno é austero no Cone Sul, os argentinos aumentam a retenção do gás boliviano, causando primeiro uma alta nos preços e, depois, a falta do produto no mercado chileno. Chile e Bolívia têm relações diplomáticas cortadas por disputas territoriais iniciadas há 130 anos e, por isso, a Argentina participa da transação como intermediária.
Um estudo publicado em maio do ano passado pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) coloca o Chile como o pior país no ranking da balança energética na América do Sul, com grande consumo e pouca produção. A parte do território chileno que poderia ser usada para a construção de hidrelétricas está situada em zonas de preservação e os fortes terremotos que castigam o país periodicamente inibem projetos mais ambiciosos em energia nuclear.
A Fiesp estima que o mercado de energia na América do Sul movimente hoje US$ 274 milhões. A região poderia ser auto-suficiente no setor, mas uma mistura de insegurança jurídica e indefinição de prioridades estratégicas faz o setor patinar entre racionamentos e cortes.
O ministro da Energia do Chile, Laurence Golborne, disse que a medida busca evitar a tomada de decisões ainda mais drásticas, como um racionamento total. “O racionamento de energia elétrica é a última opção que nós temos. Por isso mesmo estamos trabalhando de maneira antecipada para evitar que cheguemos a esse ponto.”
Pelo menos 355.420 chilenos já estão recebendo energia com voltagem reduzida desde sábado. O número equivale a 22% dos clientes da concessionária Chilectra, que distribui energia elétrica na capital. Até agora, a redução registrada no consumo foi de 1,8%.
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