Supremo se posiciona contra a volta de Zelaya ao poder, dizem agências
Supremo se posiciona contra a volta de Zelaya ao poder, dizem agências
A Suprema Corte de Honduras ratificou que o presidente deposto Manuel Zelaya não pode ser restituído no cargo se não se submeter aos julgamentos que tem pendentes, informaram hoje (26) as agências Reuters e EFE. A mais alta instância judicial do país enviou um relatório ao Congresso recomendando que Zelaya permaneça fora do poder, porém, o cumprimento não é obrigatório.
Uma fonte do Supremo disse que o posicionamento, que ratifica o que foi emitido em agosto, foi aprovada ontem (25) à noite por 14 dos 15 magistrados, mas não precisou quem votou contra nem os motivos.
A opinião do tribunal foi repassada aos parlamentares como parte de um acordo apoiado pelos Estados Unidos para decidir se Zelaya voltaria ou não ao poder.
No fim de outubro passado, Zelaya e Roberto Micheletti assinaram o Acordo Tegucigalpa-San José, que estabelecia a criação de um governo de unidade entre as duas partes até a aprovação, pelo Congresso, do retorno de Zelaya ao poder. Ele, então, deveria aceitar as eleições e deixar o cargo, na data da posse do seu sucessor eleito.
Desde então, o Congresso hondurenho tem atrasado a discussão sobre o possível retorno de Zelaya sob o argumento de que espera os pareceres da Suprema Corte, do Ministério Público e de outras autoridades.
Ontem o MP entregou seu parecer aos congressistas, mas seu conteúdo não foi divulgado.
Direitos humanos
Organismos independentes de direitos humanos denunciaram esta quarta-feira que o regime estaria promovendo o terror e a insegurança, às vésperas das eleições. “A ditadura converterá o processo eleitoral em uma zona de guerra”, afirmou o Cofadeh (Comitê de Familiares de Desaparecidos e Vítimas da Tortura em Honduras).
Fotos: EFE

Simpatizantes de Zelaya protestam em frente à embaixada brasileira
A organização informou que a secretaria de Segurança gastou quase 13 milhões de dólares esse mês na compra de um caminhão blindado para o controle das ruas e milhares de granadas e projéteis de gás lacrimogêneo. Ainda disseram que o regime solicitou aos municípios que identifiquem os membros da Frente e deixem leitos vazios nos centros hospitalares.
Segundo o Cofadeh o regime busca “enfrentar um inimigo imaginário, representado na Frente” e apontou o grupo de professores hondurenhos como o mais vulnerável. Nesse sentido, também denunciou que ontem vários paramilitares assassinaram outro professor – já são quatro desde 28 de junho –, que havia participado ativamente da resistência.
A Frente segue pedindo que os hondurenhos não participem das eleições, e ressalta que suas ações são “exclusivamente pacíficas”.
Classe média
“Os ovos de Micheletti” era a frase escrita em uma caixa com nove ovos de galinha que Jaime Salazar trazia junto ao peito, em uma manifestação convocada pela União Cívica Democrática em apoio ao reconhecimento das eleições (foto abaixo). “Micheletti é um herói nacional, nos salvou de um medíocre, de uma ditadura e do comunismo”, disse.

“Queremos exportar seus ovos para a Nicarágua, Venezuela, Bolívia, Equador, Argentina… aos corruptos, aos governos comunistas que querem permanecer do poder, como Fidel Castro e Hugo Chávez”, afirmou Salazar, em referência à suposta coragem de Micheletti.
Discursos similares foram proferidos em meio às centenas de pessoas que desfilaram ontem (25) com camisetas brancas, estampadas com a frase “Vota!”.
“Los blanquitos”, como são conhecidos popularmente os membros da UCD, formam um lobby de pressão política da classe média alta de Honduras que, desde o princípio, defende o golpe de Estado.
“Continuamos de pé desde o dia 28 de junho e seguiremos de pé até as eleições. Aqui está a demonstração de um povo que se levanta, que não se humilhou ante governos que não quiseram nos reconhecer”, exclamavam.
Um dos participantes do ato, Armando León, químico farmacêutico de 70 anos, defendeu sua posição ao Opera Mundi. “Somos a classe média hondurenha, a classe pensante desse país e por isso defendemos a democracia. Ninguém de fora dirá o que precisamos fazer”.
*Com agências.
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