Supremo da Argentina determina que filhos de dona do Clarín façam teste de DNA
Supremo da Argentina determina que filhos de dona do Clarín façam teste de DNA
A Corte Suprema de Justiça da Argentina rejeitou nesta quarta-feira (19/5) um recurso dos herdeiros do conglomerado de comunicação Clarín, solicitando a suspensão da investigação de suas verdadeiras identidades, informou a agência de notícias argentina Télam. Os irmãos Felipe e Marcela Herrera Noble, filhos adotivos de Ernestina Herrera de Noble, diretora do grupo Clarín, são suspeitos de terem sido adotados ilegalmente durante a última ditadura do país (1976-1983). Com a decisão da Justiça, serão obrigados a fazer um exame de DNA.
Naquele período, muitos filhos de presos políticos eram sequestrados e entregues clandestinamente a militares ou a simpatizantes do regime. Estima-se que 500 crianças tenham sido separadas dos pais na Argentina na época. Se for comprovado que Felipe e Marcela são crianças sequestradas, Ernestina Herrera de Noble pode ser presa.
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Hoje, o Tribunal rejeitou todas as queixas e solicitações de Ernestina, como, por exemplo, a acusação de que as escovas de dentes de seus filhos foi furtada para fazer o exame sem consentimento. Ela pedia também a atuação de dois advogados em sua defesa, mas o nome de ambos está envolvido em processos na Argentina por crimes cometidos durante a ditadura.
O documento (clique aqui para baixar) determina que o exame seja feito no Hospital Durand e que as amostras sejam comparadas com todas as demais que estão no Banco Nacional de Dados Genéticos de desaparecidos. Os Noble solicitavam que o exame fosse feito pelo Corpo Médico Forense da Corte, hospital da Justiça, e contrastado apenas com duas amostras, de famílias que suspeitam ter parentesco com Felipe e Marcela.
Disputa judicial
A suspeita de que os dois foram adotados ilegalmente por Ernestina não é recente. Desde 2001, quando começaram as acusações, eles se recusam a fazer o exame. A questão deixou de ser opcional em novembro de 2009, quando o congresso argentino aprovou uma lei de exame compulsório de DNA. A mudança legal tornou inviável a postura dos filhos.
Desde então, a Justiça argentina já determinou que os dois fizessem o exame duas vezes, mas eles recorreram em todas. Por conta de uma denúncia feita pela Associação das Avós da Praça de Maio, grupos de familiares de desaparecidos e a Secretaria de Direitos Humanos da província de Buenos Aires, o juiz responsável pelo caso, foi afastado. Ele é acusado de ter entregue uma criança sequestrada a um militar para adoção clandestina.
Adoção
Segundo documentos da adoção, em 13 de maio de 1976, Ernestina se apresentou diante da Justiça em San Isidro, com um bebê a que chamou de Marcela. Disse que a havia encontrado onze dias antes em uma caixa abandonada na porta de sua casa. Ela ofereceu como testemunhas uma vizinha e o caseiro da vizinha, cujos depoimentos foram desmentidos em 2001.
No caso do Felipe, ela declarou que foi entregue, em 7 de julho de 1976, pela suposta mãe, Carmen Luisa Delta, que não podia ficar com o bebê. No mesmo dia, sem dispor de provas determinando as circunstâncias do nascimento, uma juíza concedeu a segunda guarda à Ernestina. A Justiça descobriu, anos depois, que a Delta nunca existiu.
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