Domingo, 10 de maio de 2026
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O Sudão enfrenta há uma semana uma guerra entre o exército sudanês, liderado pelo general Abdel Fattah al-Burhan, e os paramilitares das Forças de Apoio Rápido (FAR), do general Hemedti. Sete dias de intensos bombardeios e combates em todo o país que já deixaram 413 mortos e mais de 3,5 mil feridos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Uma quarta trégua foi novamente quebrada, neste sábado (22/04).

Em Cartum, os habitantes vivenciaram o fim das comemorações do Ramadã sob bombas. Desde a madrugada desta sexta-feira (21/04), o exército intensificou os ataques aéreos às posições mantidas pelos paramilitares na capital. As forças do general al-Bourhan mobilizaram tropas terrestres para enfrentar os rivais. A situação ainda não está clara. As FAR perderam terreno, mas mantém o controle de muitos bairros.

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Os dois generais que mergulharam o país no caos ainda rejeitam qualquer negociação. Em seu primeiro discurso desde o início da guerra, o general Abdel Fattah al-Burhan disse em rede nacional que iria “esmagar militarmente” seu rival.

Sete dias de bombardeios e combates em todo o país já deixaram 413 mortos e mais de 3,5 mil feridos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS)

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Twitter/UN OCHA Sudan

Em Cartum, habitantes vivenciaram fim das comemorações do Ramadã sob bombas

A calma reinou na noite de sexta-feira, exceto por alguns confrontos esporádicos. Pressionadas por muitas chancelarias internacionais, as forças armadas sudanesas acabaram por aceitar na sexta-feira um cessar-fogo de três dias, proposto na véspera por Hemedti. Mas isso não durou, pois desde a manhã deste sábado se ouviram tiros de artilharia na capital.

Oficialmente, a trégua foi declarada para as comemorações do final do Ramadã, para permitir que os civis procurassem ajuda médica e deixassem as zonas de combate. O cessar-fogo também permitiria a saída de estrangeiros.

Egito teme chegada de refugiados

O pesadelo das autoridades egípcias é se depararem com uma enxurrada humana vinda do Sudão, explica o correspondente da RFI no Cairo, Alexandre Buccianti. Um fenômeno que seria impossível de controlar devido a uma fronteira formada por uma borda porosa de 1,2 mil km de extensão.

O Egito já abriga cerca 5 milhões de sudaneses. O Sudão era, até 1956, uma província egípcia. Muitos chegaram ao país vizinho durante as múltiplas crises econômicas e políticas que o Sudão tem vivido.

O grande deslocamento de civis, estimado em 20 mil pessoas pela ONU, também preocupa outro país vizinho, o Chade. Carol Valade, enviada especial da RFI ao país, conta que a ajuda humanitária, instalada principalmente na fronteira, se prepara para um fluxo acrescente de refugiados,o que pode agravar problemas econômicos e de segurança na região.