Segunda-feira, 27 de abril de 2026
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Pelo menos sete pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas na Tailândia nesta sexta-feira (14/5), quando o exército do país disparou contra os manifestantes civis da oposição, que há semanas ocupam o distrito financeiro de Bangcoc, em uma série de protestos para exigir a mudança de governo.

Segundo o jornal tailandês Bangkok Post, os soldados abriram fogo depois de uma negociação tensa com os manifestantes na capital, onde o exército prometeu “limpar” a área depois que confrontos na quinta-feira deixaram um morto.

O tiroteio fez moradores da área fugirem em pânico. Os tiros foram ouvidos perto da área de bares do Suan Lum Night Bazaar, popular entre turistas. Os manifestantes atearam fogo a um ônibus da polícia vazio, veículos do exército e um caminhão de bombeiros com um canhão de água.

Bangkok Post



Manifestantes, repórteres e pedestres tentam se proteger do tiroteio no centro de Bangcoc

Os soldados foram vistos atirando perto do acampamento dos camisas-vermelhas, “que foi reforçado com arame farpado, pneus de caminhão e varas de bambu afiadas”.

Testemunhas relataram que cerca de 100 soldados carregando fuzis de assalto corriam perto do parque. Três manifestantes camisas-vermelhas foram vistos sendo presos.

O coronel Sansern Kaewkamnerd, porta-voz do exército tailandês, disse que havia cerca de 2 mil manifestantes na área. Eles teriam intimidado as autoridades com armas, e “uma ordem foi dada ontem de manhã para dispersá-los”.

O rei e a rainha da Tailândia se ofereceram para arcar com os custos do tratamento médico dos feridos.

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Os confrontos entre oposição e forças de segurança na Tailândia já duram mais de três meses. Os dois lados haviam chegado a uma trégua no início de maio, mas a violência foi retomada depois que o governo voltou atrás no acordo e cancelou as eleições gerais que estavam marcadas para novembro.

Poucas chances

Já na manhã de sábado (pelo horário da Tailândia), as autoridades médicas divulgaram que o general Khattiya Sawasdipol, baleado na quinta-feira (13/5) em praça pública enquanto dava uma entrevista à imprensa estrangeira, está em coma profundo e ainda corre risco de vida. Sawasdipol, conhecido popularmente como “Seh Daeng”, é um dos líderes dos camisas-vermelhas, que apóiam o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, deposto em um golpe de Estado em 2006.

Bangkok Post



Manifestante ferido é socorrido por companheiros: há pelo menos sete mortos e 100 feridos

O militar tem um coágulo no cérebro e poucas chance de sobreviver, segundo o médico Chaiwan Charoenchokethawee, diretor do Hospital Vajira, onde Seh Daeng está internado.

“A chance de sobrevivência é muito baixa”, disse Charoenchokethawee em uma entrevista à televisão.

Segundo o jornal local The Nation, o franco-atirador que fez os disparos parecia ter usado um fuzil Winchester com uma bala 0,308 mm e disparado de um edifício alto, segundo um perito militar. O especialista disse que a bala, que atingiu Khattiya na têmpora direita antes de passar pela garganta e a nuca, estava inclinada em um ângulo de entre 45 e 75 graus.

“Isso só pode significar que o atirador deve ser um verdadeiro profissional e alvejou Seh Daeng de um edifício alto”, disse o perito.

Acusação

A Frente Unida para a Democracia contra Ditadura acusou o CRES (centro do governo para a resolução de emergências) de ordenar o atentado contra a vida de Seh Daeng.

Bangkok Post



Um camisa-vermelha lança um coquetel Molotov: a maioria dos manifestantes está desarmada

“Nós acreditamos que um franco-atirador pago pelo CRES está por trás do ataque a Seh Daeng”, disse o líder da frente, Kwanchai Praipana, no acampamento de protesto no distrito comercial Ratchaprasong, em Bangcoc, na manhã de sexta-feira.

“O atirador disparou contra ele de um dos prédios em frente ao Parque Lumpini, como o Banco Bangkok, a Torre CP, o Hospital Chulalongkorn ou o HSBC”, especulou.

Pedido de diálogo

Enquanto isso, segundo a agência de notícias MCOT, a partir de seu exílio em um lugar desconhecido, o ex-primeiro-ministro Shinawatra emitiu uma declaração pedindo ao governo que dialogue com os manifestantes para resolver pacificamente o conflito político e explore maneiras de trazer a reconciliação verdadeira.

A declaração de Thaksin foi lida por seu assessor e ex-ministro das Relações Exteriores, Noppadon Pattama. O ex-primeiro-ministro disse que a violência de ontem mostra que o governo ordenou que os soldados, policiais e atiradores de elite acabem com os camisas-vermelhas sem misericórdia, causando morte e ferimentos.

“O país ainda tem uma saída. Depende do primeiro-ministro decidir qual a opção a tomar, entre a paz e o uso da força, entre sua posição política e as vidas de pessoas inocentes. Espero que o primeiro-ministro faça as escolhas corretas, porque ele costumava dizer que as pessoas devem vir em primeiro lugar”, criticou.

Bangkok Post



 

Soldados disparam contra manifestantes na Tailândia: 7 mortos e mais de 100 feridos

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